UA/Cimeira: Financiamento africano da organização precisa acelerar, defendeu o economista Carlos Lopes

UA/Cimeira: Financiamento africano da organização precisa acelerar, defendeu o economista Carlos Lopes

O economista guineense e consultor da União Africana (UA) Carlos Lopes defendeu esta sexta-feira a necessidade de acelerar o financiamento africano da organização, considerando que 2020 será “um ano crucial” para fazer avançar esse processo.

“Este é um ano crucial para resolvermos a questão do aumento do financiamento próprio [africano] da organização”, disse Carlos Lopes, explicando que, atualmente, apenas 23 dos 55 países da organização aplicam o novo esquema de financiamento, que destina ao orçamento da UA 0,2% das receitas aduaneiras das importações de fora de África.

Carlos Lopes, que integra a equipa de conselheiros que trabalhou na proposta de reforma institucional da UA, liderada pelo Presidente do Ruanda, Paul Kagamé, assinalou que os restantes países “não se opõem à fórmula de financiamento”, mas estão ainda “a estudar a forma de a aplicar” tendo em conta as respetivas legislações.

Carlos Lopes falava, em declarações à agência Lusa, nas vésperas da 33.ª Cimeira de chefes de Estado e de Governo da UA, em 09 e 10 de fevereiro, em Adis Abeba, Etiópia.

“Precisamos de uma aceleração” defendeu o também alto-representante da UA para as relações com a União Europeia (UE), adiantando que o Presidente Paul Kagamé irá apresentar uma proposta nesse sentido durante assembleia ordinária da organização, cujas reuniões preparatórias decorrem desde 21 de janeiro, em Adis Abeba.

O economista guineense manifestou-se otimista quanto ao avanço de algumas das reformas institucionais da organização, considerando que, também nessa matéria, 2020 será um ano fundamental.

“A integração regional está em marcha em todas as frentes”, disse.

Como exemplos, apontou “o tempo recorde” de adesão dos países africanos à nova Zona de Livre Comércio, o avanço na circulação no continente com a abolição ou concessão de vistos à chegada em metade dos países e a “política de céu aberto” que abrange 23 Estados.

“Na África Ocidental, o debate é sobre a criação de uma moeda comum. São indicações importantes da nova visão protagonizada pela Agenda 2063 da União Africana”, considerou.

Carlos Lopes recordou que todas as propostas da equipa dirigida por Paul Kagamé foram aprovadas pelos Chefes de Estado, considerando que “o desafio agora é a implementação”.

“Algumas coisas avançam mais rápido do que outras, mas não há volta atrás. Todos concordam com o princípio de que a Agenda 2063 comporta um nível de ambição que só uma UA reformada pode facilitar”, disse.

O economista apontou que este será também o ano para “preparar o terreno” para a nova forma de escolha dos membros da próxima Comissão, que tomará posse em fevereiro de 2021, bem como para o lançamento da Agência de Desenvolvimento da União Africana.

Sobre as relações entre a UE e a UA, que este ano deverão realizar uma cimeira conjunta, Carlos Lopes fez votos para que se passe “das declarações políticas de intenção a um instrumento que regimente as áreas de interesse comuns”.

O alto representante da UA entende que a relação entre os dois blocos deve agora obedecer a “um novo paradigma” que vá além dos acordos existentes entre a Europa e os países de África, Caraíbas e Pacífico (ACP), conhecidos como Acordos de Cotonou, cuja vigência expira este ano.

“Os Acordos de Cotonou não abrangem todos os países africanos, têm também a participação de países caribenhos e do Pacífico, e fazem parte de um período histórico onde as relações entre a Europa e os países ACP se pautavam por contrapartidas e ajudas ao desenvolvimento”, disse.

Uma arquitetura que, segundo Carlos Lopes, já não serve os interesses do continente africano.
“Não há problemas em países ACP, soberanamente, terem um acordo com a UE com os contornos que marcaram esse tipo de relação, mas isso não pode substituir a necessidade de um instrumento específico para as relações continente a continente”, disse.

“Estamos na União Africana a insistir que um tal processo cubra as áreas que são de interesse continental como a paz e segurança, migrações, mudanças climáticas e sobretudo comércio. Visto que a África agora tem uma Zona de Livre Comércio não vamos negociar comercialmente através do mecanismo ACP”, acrescentou.

A UA integra 55 países, incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, é dirigida por uma comissão e a sua presidência ocupada rotativamente pelos países pelo período de um ano.

A organização reúne-se anualmente em assembleia ordinária em Adis Abeba, na Etiópia, onde tem a sua sede.

A próxima cimeira marcará a passagem da atual presidência do Egito para a África do Sul.

Fonte: Lusa

Partilhar esta notícia...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email

Deixe uma resposta

Close Menu