PRESIDENTE DA REPÚBLICA DIZ SER O “PRIMEIRO DOS INCONFORMADOS” NO PAÍS

PRESIDENTE DA REPÚBLICA DIZ SER O “PRIMEIRO DOS INCONFORMADOS” NO PAÍS

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, afirmou hoje que é “o primeiro dos inconformados” com o estado de coisas negativas que acontecem no país, mas também é o ultimo a desistir do combate para mudá-las.

No seu discurso de posse do novo primeiro-ministro Artur Silva, antigo chefe da diplomacia guineense, que nomeou, na terça-feira, José Mário Vaz disse ser chegada a “hora da verdade e do trabalho” para construir uma Guiné-Bissau melhor.

“Como já tive oportunidade de referir em outras ocasiões: Sou o primeiro dos inconformados com o atual estado das coisas negativas e serei o ultimo a desistir deste combate”, destacou o líder guineense.

A Guiné-Bissau passa há cerca de três anos por uma crise política e um movimento da sociedade civil, constituído essencialmente por jovens dos liceus e das universidades, foi então criado assumindo-se estes como “cidadãos conscientes e inconformados” com a crise.

Os inconformados, que têm feito manifestações nas ruas de Bissau exigem, entre outras reivindicações, a renúncia de José Mário Vaz da Presidência por ser, acusam o principal responsável pela continuação da crise política.

Hoje na cerimónia de posse, o Presidente guineense apresentou Artur Silva como primeiro-ministro de sua confiança e pediu que os cidadãos do país também confiem no novo chefe do governo.

O Presidente disse que Artur Silva terá como tarefa principal organizar eleições legislativas ainda este ano e que sejam livres e transparentes.

José Mário Vaz considerou não ser fácil governar a Guiné-Bissau, mas também afirmou que não é uma tarefa impossível desde que se tenham “pessoas certas em lugares certos e com políticas certas”.

“Hoje mais do que nunca o nosso destino está em nossas mãos”, frisou José Mário Vaz.

No discurso, o líder guineense não se referiu à Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que ameaça aplicar sanções aos dirigentes do país lusófono se estes não alcançarem entendimento quanto à figura do primeiro-ministro até hoje (31.01).

Uma delegação de alto nível daquela organização deverá chegar ainda esta quarta-feira em Bissau.

No entanto o novo primeiro-ministro guineense, Artur Silva, de 61 anos, hoje investido no cargo, prometeu “para breve” o seu Governo que será integrado “por todos” os signatários do Acordo de Conacri, patrocinado pela comunidade da África Ocidental.

O Acordo de Conacri é um documento proposto pela Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e rubricado, em outubro de 2016, por líderes guineenses, visando acabar com a crise política no país lusófono.

Dois anos depois da assinatura do acordo, a crise ainda persiste.

A CEDEAO ameaçava aplicar sanções se até hoje (31.01) não for nomeado um Governo com base no referido acordo, assinado pelos cinco partidos com assento parlamentar, o líder do Parlamento e o grupo dos 15 deputados expulsos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Vencedor das últimas eleições legislativas, o PAIGC e outras duas formações políticas com assento parlamentar, a União para Mudança e o Partido da Convergência Democrática, todos subscritores do Acordo de Conacri, já anunciaram que não vão aceitar um primeiro-ministro que não seja nomeado na base do referido acordo.

Devido à falta de entendimento entre os signatários do Acordo de Conacri à volta da figura que era apontada como a consensual no âmbito daquele documento, o Presidente guineense decidiu escolher Artur Silva como primeiro-ministro.

Militante e dirigente do PAIGC, Augusto Artur António da Silva, nascido em Bissau, é engenheiro de pescas formado entre o Brasil e Inglaterra, que já desempenhou vários cargos governamentais, nomeadamente ministro das Pescas, dos Negócios Estrangeiros, da Educação, Juventude e Desporto. Também foi ministro da Defesa guineense.

Artur Silva desempenhou igualmente as funções de conselheiro político e diplomático de Domingos Simões Pereira, na altura em que aquele chefiou o Governo, saído das eleições de 2014, mas, entretanto, demitido por José Mário Vaz.

 

Redação

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