POLÍTICAS DE INIMIZADE: parafraseando ACHILLE MBEMBE

POLÍTICAS DE INIMIZADE: parafraseando ACHILLE MBEMBE

Não basta afirmar-se que somos um país democrático para assim o ser, penso que é preciso muito mais que a teoria!É preciso uma certa dose de crítica científica sobre a democracia participativa que “todos” os guineenses proclamam (de 1994 a 2019).

A Guiné-Bissau, à semelhança de outros países que defendem os valores democráticos, não pode ficar alheia às críticas que possam surgir sobre a sua democracia, o “modus operandi” dos seus protagonistas, “players” políticos, sobretudo.Esta crítica denominada “POLITICAS DE INIMIZADE” que o ator político guineense vem construindo e consolidando sistematicamente de uns anos para cá, ganha corpo e expressão no momento em que “o desenraizamento geográfico e cultural e a deslocação voluntária ou a implantação forçada de populações inteiras em vastos territórios, antes habitados exclusivamente por povos autóctones, foram acontecimentos decisivos da nossa chegada à modernidade.

(…) A colonização coincidiu em grande medida com a formação do pensamento mercantilista no Ocidente, estando quiçá, pura e simplesmente, na sua origem. A ideia segundo qual a vida em democracia é pacífica, policiada e desprovida de violência não convence” (MBEMBE, 2017 p.33).

– Três meses supostamente letivos, na Guiné-Bissau, sem “aulas” nas principais escolas públicas.- Cerca de 300 000 alunos privados dos direitos básicos.

– Serão provavelmente mais três meses nos quais uma parte significativa dos estudantes dessas escolas públicas ficará “privados” do seu direito à escola, por causa da campanha da castanha de caju/2019.

– Ironicamente, um super ministro-conselheiro é premiado como “melhor” de todos em 2018, talvez por que ELE não gosta da escola ou ELE “nunca frequentou” a escola, mas sabe falar da DEMOCRACIA.

– Mais de uma dúzia de partidos políticos concorre a DGCI e ao SUPREMO TRIBUNAL de justiça para formalizar suas candidaturas, em nome da DEMOCRACIA.

Esta nova forma de disseminação do “caráter” do homem político guineense, que vem juntar-se às anteriores vagas de “estupidez político”

– (14/11/1980) (17/10/1986), (7/6/1998 e (12/4/2012) são anos e datas que simbolizam a violência política na Guiné-Bissau, e revelam, por outro lado, que continuaremos “adiados” por mais algum tempo, pelo menos a curto prazo.A agenda da comunidade internacional nos exige realizar eleições de 4 em 4 anos, mas o povo guineense está privado dos seus direitos básicos

– ACESSO À EDUCAÇÃO! Decerto vamos votar no dia (10/3/2019), no entanto não creio que haverá “luz no fundo do túnel”, a curto e médio prazos, não é que fosse PESSIMISTA propriamente, pois se eu fosse não estaria a lutar com as minhas narrativas, contando história da nossa história democrática que tem produzido e multiplicado MEDIOCRIDADES do HOMEM POLÍTICO GUINEENSE.Se, em tempo “record”, os nossos partidos políticos se lembraram de organizar a “famosa” “DECLARAÇÃO DE QUITAÇÃO, REGISTO CRIMINAL, etc”.

No entanto, em relação aos CONSENSOS MÍNIMOS NECESSÁRIOS para pormos cobro às situações de INSTABILIDADE política (2015 a 2019) não se verificou essa agilidade dos partidos políticos guineenses e do próprio PR…São sintomas de “POLÍTICAS DA INIMIZADE” movidas por paradoxos e contradições nos atos e/ou nas omissões. É deveras claro que os políticos querem o PODER, mas pena que não se importam de tratar dos assuntos ESSENCIAIS do povo: ESCOLA e SAÚDE…

Vamos votar sim, jovens e mulheres, mas evitemos que as “POLÍTICAS DE INIMIZADE” prevalecem sobre nossos ombros, usemos, pois, a falta de ESCOLA como instrumento (ou arma) contra aqueles que nos proíbem o acesso a esses bens essenciais…!Faltam exatamente 2 meses para o grande “CARNAVAL ELEITORAL”, contudo desejamos-lhe boa escolha do seu “M’TURUDU” preferido, até por que o MÊS DE MARÇO PROMETE!

Apenas uma opinião!
Santos Fernandes
10/1/2019

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