Partidos da oposição abandonam parlamento guineense

Partidos da oposição abandonam parlamento guineense

Dois dos seis partidos com assento no novo parlamento guineense abandonaram hoje os trabalhos por discordarem dos procedimentos para a escolha dos titulares do órgão legislativo e prometeram avançar com queixas judiciais.

Braima Camará, coordenador do Movimento para Alternância Democrática (Madem) e Sola Nquilin, dirigente do Partido da Renovação Social (PRS), anunciaram que os deputados das suas bancadas não iriam continuar no parlamento por desacordo com a forma como os trabalhos estão a ser dirigidos.

O Madem, segundo partido mais votado nas últimas eleições legislativas, tem 27 deputados e o PRS, terceiro, obteve 21 parlamentares, abandonaram o hemiciclo 48 deputados, restando na sala 54, que prosseguem com os trabalhos.

O PRS e o Madem anunciaram que vão intentar processos nos tribunais, pedindo a anulação de todo processo de escolha dos novos dirigentes da mesa parlamentar.

Antes de abandonarem a sala do hemiciclo, os dois partidos viram a plenária chumbar uma impugnação ao processo de votação para escolha dos novos dirigentes da mesa, depois de as lideranças das duas formações políticas terem ordenado a saída dos 48 deputados.

“Não vamos continuar a caucionar estas ilegalidades, vamos avançar para as instâncias judiciais”, afirmou Braima Camará, já fora da sala onde decorrem os trabalhos parlamentares.

Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB), considerou normal o abandono de sala por parte “daqueles que não concordaram”, mas realçou que existem condições para que a maioria de deputados prossiga com os trabalhos.

De acordo com Nabian, o parlamento deve formar os seus órgãos internos e depois comunicar ao Presidente guineense, José Mário Vaz, para que este crie as condições para que seja formado o novo Governo.

O deputado Califa Seidi, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que venceu as eleições legislativas com 47 dos 102 deputados ao parlamento, instou o líder do hemiciclo para que prossiga com os trabalhos e possibilite a escolha do primeiro e segundo secretários da mesa parlamentar.

Porque cabe ao Madem a indicação do nome para o lugar de 2.º vice-presidente do parlamento, esse cargo não será preenchido, disse o líder do hemiciclo, Cipriano Cassamá.

Fonte: lusa

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