ONG AIDA EXIGE AO ESTADO DA GUINÉ-BISSAU CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE ABUJA

ONG AIDA EXIGE AO ESTADO DA GUINÉ-BISSAU CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE ABUJA

O representante da ONG espanhola na Guiné-Bissau, apelou esta terça-feira, 05 de fevereiro de 2019, ao futuro governo guineense no sentido de implementar o “Compromisso de Abuja” Nigéria, que prevê a atribuição de 15% dos Orçamentos Nacionais ao Sector da Saúde, após 17 anos de assinatura do documento pelos Chefes Africanos de Estado e de Governo.

Victor Madrigal, falava à imprensa no final da atelier de divulgação dos “Compromissos de Abuja”, num dos hotéis da capital, no qual fez lembrar as autoridades guineenses que a saúde é o maior bem que o povo precisa neste momento.

“Queremos exigir em nome da sociedade civil e toda a população da Guiné-Bissau de que a partir do próximo ano (2020) o governo deve começar a reforçar verba ao sector da saúde nos orçamentos, por ser a prioridade das prioridades”, vincou Madrigal.

Em 2001, os líderes africanos, incluindo da Guiné-Bissau assumiram compromissos financeiros com vista a realizar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), prometendo atribuir pelo menos 15% dos seus orçamentos nacionais ao sector da saúde, mas até então o país não cumpriu com a decisão.

Diante desta realidade, Madrigal, apelou aos parceiros da cooperação da Guiné-Bissau a exigir do executivo guineense o cumprimento do compromisso assumido no sentido de permitir que cidadãos tenham acesso a saúde pública.

O seminário foi organizado pela embaixada de Espanha no país, mas contou a presença de várias organizações que trabalham ligados a sociedade civil, sector de saúde pública e partidos políticos.

Durante a sua intervenção na abertura dos trabalhos, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Augusto Mário da Silva, revela que os fundos disponibilizados para o sector de saúde são mal orientados e mal investidos.

“Os fundos que são disponibilizados para o sector de saúde são mal investidos, porque gastamos muitos dinheiros em pagar encargos de saúde, despesas e não investimos no que é necessário, isso é que a Liga constata ao longo dos anos que tem estado a trabalhar nos diferentes centros hospitalares do país”, explicou Mário da Silva.

Segundo Silva é preciso de facto que as autoridades sanitárias guineenses reorientarem o investimento para i sector de saúde pública. Para o ativista dos direitos humanos, além do aumento do bolo orçamental, é fundamental investir naquilo que é necessário.

A Guiné-Bissau está na cauda do índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas. Mais de metade da população vive numa situação de pobreza extrema e a esperança média de vida é de 55 anos. Com um sistema político frágil e um serviço de saúde incerto, as taxas de mortalidade materno e infantil da Guiné-Bissau são das mais altas do mundo.

Por: Alison Cabral

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