Não cabe mais ninguém, Portugal está lotado! 

Não cabe mais ninguém, Portugal está lotado! 

 São dias difíceis para José Sampaio, um jovem taxista de 32 anos. Durante toda manhã não teve tempo sequer para estacionar. Esteve sempre na estrada com o próximo cliente. Em Lisboa, não há muito trânsito talvez porque foram todos de férias para o Algarve. Mas a verdade é que só teve um minuto para o primeiro cigarro do dia, lá para o final da tarde. 

 

É agosto, o melhor dos meses em termos de receitas. Há muita dinâmica nas ruas da capital portuguesa, parece que ninguém para, ninguém se dorme. Vida intensa. A moda é calções curtos e chinelos para as miúdas. É tempo de roupas camufladas, estilo militar ou jeans (dongri) calças e camisas, tênis de marca Vans nos pés, são novas tendências.É tempo de mostrar pernas e a elegância nas ruas de Lisboa.

 

José fumava ao lado do seu Mercedes, um Marlboro quando uma família se contentava por conseguir táxi, na paragem de Marquês. “Não é assim todos os dias. Hoje é um dia absolutamente incrível para mim, ainda bem”, comentava com um sorriso rasgado.

 

José tem razão. É incrível o número de turistas que estão em Portugal. As vezes faz-lhe confusão ouvir gente a falar francês, inglês, fula, mandinga, espanhol, chinês, balanta, dinamarquês, no centro da cidade.

 

Há muito que defendi que Portugal vivia muito vislumbrado da União Europeia, ignorando de forma implícita a sua pura realidade, que é o mundo lusófono.

 

Se a política portuguesa tivesse apostado fortemente nas trocas comerciais, culturais, desportivas, ou seja, numa cooperação com forte vertente econômica, criando facilidades na circulação das pessoas e bens, sobretudo com os cinco países africanos falantes do português, talvez, diria eu, nunca tivesse precisado de um resgate económico do FMI. Ou da Troika da má memória.

 

A crise econômica de 2008, ao menos, despertou as autoridades portuguesas para a realidade. Permitiu que Portugal se abrisse mais ao mundo lusófono. Uma ideia bem concebida que proporcionou um maior fluxo comercial e intercâmbio entre os povos. O que, por sua vez, fez melhorar a economia, reduziu a taxa de desemprego e salvou várias empresas da falência, tudo, em grande medida, através dos lucros turísticos provenientes desses países.

 

Nos últimos anos aumenta de forma brutal o número de jovens funcionários públicos ou trabalhadores das empresas privadas que vêm à Portugal frequentemente para as férias. Há ainda registo de jovens empreendedores que estão quase sempre nos aviões entre Bissau-Lisboa.

 

Sempre defendi que o caminho ideal para Portugal seria se priorizasse mais a cooperação lusófona, sem descurar claro da União Europeia, só sairia a ganhar, pois está melhor habilitado a concorrer com qualquer potência mundial no mercado dos PALOPs, sobretudo.

 

Hoje em dia, vê-se claramente a contribuição que esses países dão à econômica portuguesa no período das férias. Estou em Lisboa há uma semana. Mas antes de vir, constatei o número de guineenses que frequentam todos os dias desesperadamente a embaixada de Portugal em Bissau para a obtenção de vistos para às férias, foi, no mínimo, incrível. Um número que se possa classificar de milhares, sem exageros. Cada visto Schengen custa nada mais nada menos 60 euros (quase 40 mil FCFA).

 

Há um problema muito sério nos últimos dias em Bissau, não há lugares nas três companhias aéreas que fazem ligações entre Bissau-Lisboa e Lisboa-Bissau, respetivamente. Como manda a lei do mercado quando a procura é maior que a oferta, o preço sempre acaba por disparar. É caso dos preços de bilhetes de avião que atingem valores muito elevados. Há fatura de quem já pagou quase mil euros de passagem só vir à Portugal. Os habituais da classe econômica, para não perderem mais dias de férias, aceitam dar mais por um lugar na executiva.

 

Ao chegar à Lisboa, cidade de rotundas, para quem se habitua alugar viaturas no aeroporto Humberto Delgado vai reparar que quase faz-se a lotaria. A maioria já está na via. Nos transportes públicos, são muitos turistas que ocupam cadeiras com mapas nas mãos. É quase recorrente ver uns a chegarem ainda com as malas com devidas etiquetas de voos. Nas estações vais encontrar com os que não têm passes dos transportes públicos a apressarem-se nas bilheterias para não perder o próximo comboio. Uns arriscam correr com o revisor nas carruagens. As cancelas são constantemente violadas. O transporte público em Lisboa é caro.

 

Talvez seja mais fácil parar com a loucura de América e Correia de Norte do que conseguir um quarto nos hotéis, nas residências ou mesmo casas para alugar, sem reservas prévias. Os taxistas tomam conta das estradas satisfeitos com a época alta. Dizem em alto e bom som que as coisas não poderiam correr mais melhor. É muito dinheiro a circular em Portugal, graças ao Turismo.

 

A Lisboa menina moça está cheia de hóspedes vindos de todo lado.

 

Guineenses, angolanos, santomenses, cabo-verdianos, moçambicanos e brasileiros numa espécie de celebração da paixão lusófona tomam contam da Linha de Sintra. É a África em Lisboa. É a pequena cidade de Bissau em Lisboa, a Babilônia, no município de Amadora. Ponto do encontro.

 

São lojas lotadas de gente que compra até de sobra. De C&A à Sacoor. De Nike à Adidas ou ainda de Diesel à Gucci. O Centro comercial Colombo recebe milhares de visitantes novos, sem esquecer claro, de Vasco da Gama, no Oriente.

 

Cada um goza as férias como pode, mediante as suas possibilidades. Uns nas praias, outros nas festas improvisadas. À noite toca à discoteca africana. O momento marca reencontros de amigos e familiares, de namorados ou das pessoas que se vão encontrar pela primeira, que antes eram amigos nas redes sociais. Coisas nossas. Mas estão todos conectados no Facebook e Whatsapp. Ainda partilham momentos no Snapshot.

 

Se o momento é de lazer para uns, para muitos é de aproveitar para um controle médico de rotina. Tanto às clínicas privadas como também os hospitais públicos são destinos para os hóspedes de Lisboa. No caso de vários turistas dos PALOPS, alguns aproveitam para tratar de documentos para a fixação de residência ou nacionalidade.

 

Festas, concertos, cinemas, jogos de futebol nos muitos cafés que se encontram em cada esquina de Lisboa, o bom tempo e um mundo lusófono bem instalado dentro de Europa, fazem desta cidade uma maravilha turística. O reencontro com a sua realidade na versão europeia é um encanto que se faz escolher este país como destino turístico de muitos de nós.

 

É evidente que Portugal sai a ganhar muito com essa dinâmica turística. Mas os nossos países de origem também. No caso da Guiné-Bissau, como mais números de voos das três companhias aéreas, há cada vez mais guineenses que fazem esse caminho quase que recorrente em trazer e levar produtos comerciais, como por exemplo: roupas, cigarros, milho, siti, candja, etc…

 

Quanto mais houver a facilidade na mobilidade das pessoas melhor será a integração dos povos lusófonos. E como sabem, no plano político os dividendos são ainda maiores.

 

Através da Guiné-Bissau, por exemplo, Portugal tem um mercado a concorrer com mais de 200 milhões de consumidores, a UEMOA. Para não falar de Angola, Moçambique e os restantes países.

 

Há ainda os campos desportivo e cultural que podem ser explorados melhor. Não foi por acaso que os antepassados portugueses decidiram instalar-se nesses países, estrategicamente.

Por último, confirma-se a nível demasiado alto dos emigrantes da Guiné-Bissau que acompanham as emissões da Rádio Jovem na internet.

 

//Braima Darame (BD)

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This Post Has 4 Comments

  1. Na verdade para um guineense conseguir um visto para Portugal é obra mesmo ducomentado—-

  2. Bravo BD estamos sempre juntos um abraço tenha continuaçao de um bom férias one love.

  3. Bravo! Mas segundo os dados do governo português, o período homólogo de 2016 era melhor…

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