Mulheres guineenses são marginalizadas na tomada de decisões – estudo

Mulheres guineenses são marginalizadas na tomada de decisões – estudo

As mulheres guineenses estão globalmente ausentes nas tomadas de decisões sobre a vida do país, ainda que estejam ativamente presentes nas campanhas eleitorais, revela um estudo hoje divulgado em Bissau.

O estudo, Fala di Mindjer (As Vozes das Mulheres), é uma iniciativa coordenada pela organização não-governamental Voz di Paz patrocinada pelo fundo para consolidação da paz das Nações Unidas.

Entre as várias conclusões do estudo, feito a partir de depoimentos recolhidos nas comunidades urbanas e rurais ao longo de 18 meses, está, por exemplo, que a mulher guineense não tem lugar na política, que é considerada atividade masculina.

O estudo revela também que a mulher guineense, para ser considerada bem-sucedida, tem de se casar e constituir família, deixando ambições sociais e políticas, e que o setor da defesa e segurança é um terreno exclusivo dos cidadãos do sexo masculino.

Aida Fadiá, uma conhecida ativista dos direitos cívicos nas forças de defesa e segurança guineenses, disse à Lusa que o estudo “revela situações verdadeiras de exclusão” das mulheres.

No caso da polícia, a ativista referiu que esta força ainda não tem mulheres nos cargos do comando de operações.

Com a patente de superintendente, Aida Fadiá disse não se contentar quando sente que pode “comandar forças” e dirigir “missões operativas” em termos de segurança do país.

“Não podemos ficar confinadas aos serviços de logística, da saúde, ação social, serviços administrativos, queremos estar no campo operativo”, observou Aida Fadiá, que disse não perder esperança de um dia ver uma mulher no lugar de comissário-geral da polícia.

No dia em que assim for, a Guiné-Bissau “terá mais segurança”, afirmou, salientando que a mulher “não gosta de problemas” por saber que tem filhos e marido com os quais vai ter que se preocupar.

O estudo aponta que os estigmas e a falta de condições nas casernas contribuem para afastar as mulheres das forças de segurança e que a segregação na educação limita a sua participação na política, o que acaba por se refletir no número de mulheres nos lugares de liderança.

Fonte: Lusa

 

 

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