JE SUIS CEDEAO

JE SUIS CEDEAO


A recente decisão da CEDEAO de exigir que as eleições tenham lugar na Guiné-Bissau em Janeiro de 2019 e que haja data antes da Cimeira da CEDEAO marcada para o final da semana(22 de Dezembro), levou mais uma vez alguns incoerentes e injustos guineenses,com falsos espíritos de nacionalismos a acusarem a organização sub-regional de estar a imiscuir nos assuntos internos do país. São acusações não só infundadas, carregadas de absolutas ignorâncias dos autores e reveladoras de quão, o guineense teme a verdade e a responsabilidade, mas também prova da incoerência nacional.

Aqueles que se atrevem a falar deste assunto na perspectiva de soberania, não tomam em consideração o poder e os critérios da globalização, as despesas da assistência que as organizações como Nações, União Africana e a CEDEAO prestaram e estão a prestara Guiné-Bissau nesta desnecessária crise. São meros arautos de propagandas baratas que em nada resultarão a não ser continuar a empurrar José Mário Vaz para as ruas do abismo com uma supersónica queda da sua popularidade. Enquanto José Mário Vaz continuar a ouvir e a seguir desaconselho, a Guiné-Bissau continuará nas ruas de desprezo.

O guineense não pode pensar que o país pode irremediavelmente continuar a ser conduzido com base nas conveniências de interesses restritos como acontece desde 2015 a esta parte. É preciso resgatar o país de descrédito e da falta de orientação. E este processo a CEDEAO está a fazer muito bem o seu papel, enquanto estrutura com mandato e com pedido. Mandato da ONU e pedido do próprio José Mário Vaz.

Os guineenses de bom senso concordam plenamente com as decisões que a CEDEAO tem tomada sobre a Guiné-Bissau desde momento que José Mário Vaz meteu a organização no jogo político, para fazer valer as suas ilegalidades. Porque se na verdade José Mário Vaz quisesse preservar a tal soberania (de um país que não consegue sequer organizar às próprias eleições) devia, logo após a demissão do Primeiro Governo Constitucional da legislatura 2014-2018, olhar apenas pelas normas constitucionais. Isto é, ao acreditar (e sabe-se lá com que argumentos) que o PAIGC não tinha competências para dirigir a Nação, devia, ato consequente a demissão do Governo, dissolver ANP e convocar novas eleições e devolver apalavra ao povo.

José Mário Vaz, não fez essa opção. Preferiu vergar por práticas antidemocráticas e inconstitucionais.Quis a todo o custo que os seus “amigos de ocasião” estivessem no Governo não obedecendo qualquer regra democrática, a não ser o tal poder de exonerar e nomear que ele mesmo pensa ter. Este comportamento daquele que devia ser guia de observância das regras democráticas acabou por ser abertura da porta para uma crise, que ele depois não soube gerir.

Portanto quem quer criticar a CEDEAO ou as regras que inventa ou impõe a Guiné-Bissau, deve antes de tudo ser coerente e criticar, condenar e censurar todo o percurso de José Mário Vaz nesta crise. Em nenhum momento, o PR esteve bem. E o crítico tem de ser capaz de dizer que, as entradas da CEDEAO são sempre para atenuar às saídas infelizes e prepotentes de José Mário Vaz e do seu clã político.

A cronologia mostra que a CEDEAO, abre sempre espaços para José Mário Vaz atuar enquanto Chefe de Estado, mas dada a existência de interesses “certamente inconfessáveis do PR e seu entourage”, o Chefe de Estado acaba por vergar por caminhos antagonicamente acordados com os pares ou com a própria organização. Portanto, o grave neste processo, não são alegadas ingerências da organização nos assuntos nacionais,mas sim dos guineenses estarem deliberadamente a brincar com a CEDEAO.

Este aparente conflito com a CEDEAO está a ser alimentado pela Guiné-Bissau e não pela organização.Como é que alguns guineenses acham que a CEDEAO ficaria de braços cruzados a observar o PR e as suas estruturas com alegações aberrantes sobre o recenseamento eleitoral, afundar um processo que gastou biliões? Com quais fundamentos aparece o Ministério Público para tomar a decisão que tomou sobre o recenseamento? Acham correto todos ficarem calados, estagnados a observar desmandos!?

O que aconteceu não foi nenhuma interferência, mas sim reposição da ordem. As atitudes e as decisões do PR e dos seus actos fizeram do país um manto de retalho. Não se sabe por onde pegar. Não é no próprio Governo (o Primeiro-ministro não tem o controlo da estrutura que dirige); não é nos sectores saúde e educação (mas sobretudo a educação em que as aulas ainda não iniciaram nas escolas públicas); não é na justiça(porque, o Ministério Público enquanto entidade defensora do Estado agride o Estado com decisões infundadas); não é na segurança (porque incompreensivelmente depois da exoneração de um ministro, há mais de dois meses, um outro não foi nomeado). O cúmulo do nosso descrédito está a olho de todos internamente. Os professores avançaram para uma greve inexplicável e sem motivos.

A meio da grave radicalizaram sem qualquer fundamento, através da invenção de novas formas(paralisar sem tréguas e com exigências racionalmente impossíveis de cumprir).

O PR que deveria ser expoente máximo na resolução de conflitos, mas que perdeu essa virtude logo no início do mandato, piorou agora a sua imagem. Ele de quem muitos suspeitam ter algum interesse na fase inicial da greve, entrou na jogada e não conseguiu se quer mover os professores. Isso demonstra o nível de descrédito e desorganização no qual o país vive.

Quando o Chefe de Estado não consegue apaziguar as partes num assunto tão fácil (um Director-Geral competente desconvoca uma verdadeira greve)), é porque o nível de descrédito atingiu todos os limites aceitáveis. Significa que, quem quer julgar a CEDEAO deve antes de mais olhar pela realidade nacional.

CEDEAO só tem intervindo naquilo que foi solicitado por José Mário Vaz. Em 2016, foi o próprio José Mário Vaz que levou 3 nomes a pedir a CEDEAO para que pedisse aos políticos guineenses a se entenderem. Como é numa atitude de insulto total a organização, o PR volta e um ano e um mês diz que nunca houve entendimento? Atal história de Augusto Olivais, Primeiro-ministro do consenso. Mas desde quando é que, um Primeiro-ministro é negociado em país estrangeiro? Era ou não interferência? Se for interferência, foi a pedido de quem? Desde então é que CEDEAO manteve os passos a seguir a Guiné-Bissau.

 Quem acompanhou e acompanha atentamente a situação política da Guiné-Bissau chega rápida conclusão da classe dirigente que o país possui. Uma classe dirigente sem visão progressiva e focada apenas no cumprimento da agenda particular e não coletiva.

Ao longo destes cinco anos de crise despoletada e sustentada pelo Presidente da República com políticas e decisões inexistentes, foi possível avaliar a capacidade de cada um dos membros desta classe dirigente. A começar pelo próprio Presidente da República que a cada passo que dá, revela ser um político absolutamente desprovido de tudo.

Da visão, da estratégia e sobretudo da posição. Aliás, o apreciável em José Mário Vaz enquanto PR, é a capacidade extraordinária de ler os discursos. Lê sem falhas facilmente notáveis. O resto, é um PR altamente oscilante e inigualável dos cinco que o país já teve.

Eu pessoalmente reconheço os esforços que a CEDEAO tem feito e todos deviam apoiar para que o país regressasse a normalidade Constitucional antes de ser tarde. É aceitável até que o PR funcione a reboque das opiniões, desde momento que sejam conselhos reais e que visam resolver os problemas coletivos.

Mas a realidade demonstra o contrário. Um PR que aceita conselhos que em nada dignificam assuas funções. Quando um PR aceita ouvir um grupo políticos com agenda pessoal e de vingança aos adversários, jamais terá sucesso. É o que acontece hoje. Ao iniciar a guerra com o PAIGC (e quem sabe se tinha ou motivos para tal), as coisas descambaram a partir do momento que certos viram naquela guerra oportunidade para afirmar no PAIGC ou vingar de alguma injustiça de que terão sido alvo no partido. Os poderes do PR fragilizaram e ficou a mercê de todos.

Por: Sabino Santos, jornalista e editor chefe do semanário independente Ultima Hora

Partilhar esta notícia...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email

This Post Has One Comment

  1. O senhor é talvez um cidadao da comunidade internacional, nos somos cidadaos guineenses e a Guinée-Bissau é um Estado soberano. Quem vive de esmolas de comunidade internacional em Bissau é bem conhecido. O povo da Guinée-Bissau é digno e vive longe das vossas praças de vicios da colonizaçao.

Deixe uma resposta

Close Menu