“INNOVALAB: será o prelúdio da economia digital guineense?”

“INNOVALAB: será o prelúdio da economia digital guineense?”

Por: Santos Fernandes


“INNOVALAB: será o prelúdio da economia digital guineense?”


1 – Enquadramento:
À mercê de bolsas de estudos oferecidas pelo governo dos Estados Unidos da América, nos últimos 5 anos, tanto no quadro do programa YAL – “Youth African Leadership” quanto a nível do programa IVLP – “International Visitor Leadership Program”, um grupo de jovens beneficiou destas oportunidades visando desenvolver suas capacidades de lideranças empreendedoras e, sobretudo se criando oportunidades para a identificação, implementação e consolidação do seu “networking” em face aos potenciais empreendedores e investidores norte-americanos, e não só.


Assim, surgiu casos como a “INNOVALAB” (cujo CEO é o jovem empreendedor guineense, Mr. Abdulai Bary e a sociedade “MINGA, SARL” (criada pelo empreendedor guineense Mr. Santos Fernandes) para citar apenas estes dois exemplos, internamente. É, por conseguinte, certo que há países africanos, designadamente Senegal e outros países, essencialmente, os anglófonos (Etiópia, Kenya, Nigéria, África de Sul, etc) que tiveram casos empresariais de sucessos, ao longo de mais de uma década a esta parte…


No entanto, a incubadora de empresas, através das “start up”, constitui-se numa estratégia empresarial visando a REDUÇÃO DE CUSTOS e AQUISIÇÃO DE PARCERIAS pelas empresas “iniciantes” que, entretanto, sozinhas nas suas operações não teriam formas de sustentar os CUSTOS OPERACIONAIS, por isso elas – as empresas iniciantes – juntam sinergias para fazer face aos DESAFIOS EMPRESARIAIS (aquisição de equipamentos, pagamento de contas junto à banca, gestão de ativos e passivos junto aos fornecedores, investidores, clientes, etc)…
São desafios que exigem, em certa medida, o conhecimento e a prática da economia digital, tendo em conta as transações internacionais, que se pretende, cada vez mais, rápida e segura, que todo o processo envolve.


2 – Economia digital:
A economia digital refere-se a uma economia baseada em tecnologias de computação digital. A economia digital também é, às vezes, chamada de Economia da Internet, Nova Economia ou Economia da Web.Cada vez mais, a “economia digital” está entrelaçada com a economia tradicional, dificultando um delineamento claro.


2.1 – Definição:
O termo “Economia Digital” foi mencionado pela primeira vez no Japão por um professor japonês e economista pesquisador no meio da recessão japonesa dos anos 90. No ocidente, o termo se seguiu e foi cunhado no livro de 1995 de Don Tapscott, “The Digital Economy: Promise and Peril in the Age of Networked Intelligence” (A Economia Digital: Promessa e Perigo na Era da Inteligência em Rede).A economia digital estava entre os primeiros livros a considerar como a Internet mudaria a forma como fazíamos negócios.De acordo com Thomas Mesenbourg (2001), três componentes principais do conceito de “Economia Digital” podem ser identificados:
– Infra-estrutura e-business (hardware, software, telecomunicações, redes, capital humano, etc.);
– E-business (como os negócios são conduzidos, qualquer processo que uma organização realiza sobre redes mediadas por computador);
– E-commerce (transferência de bens, por exemplo, quando um livro é vendido on-line).
Nesta nova economia, as redes digitais e as infraestruturas de comunicação fornecem uma plataforma global sobre a qual pessoas e organizações desenvolvem estratégias, interagem, comunicam, colaboram e buscam informações. Mais recentemente, a Economia Digital foi definida como o ramo da economia que estuda os bens intangíveis de custo marginal zero na rede.


3- Impacto:
A economia digital vale (três trilhões de dólares) hoje. Isso é cerca de 30% do índice S&P500, seis vezes o défice comercial anual dos EUA ou mais do que o PIB do Reino Unido ou mais do que o PIB do Brasil. O que impressiona é o fato de todo esse valor ter sido gerado nos últimos 20 anos desde o lançamento da Internet.É, amplamente, aceite que o crescimento da economia digital tem um impacto generalizado em toda a economia. Várias tentativas de categorizar o tamanho do impacto nos setores tradicionais foram feitas.O BCG – “Boston Consulting Group” discutiu “quatro ondas de mudança varrendo os bens de consumo e o comércio grossista, por exemplo.Em 2012, a Deloitte classificou seis setores da indústria como tendo um “curto-circuito” e experimentando um “big bang” como resultado da economia digital.


4 – Resposta:
Dado o seu amplo impacto esperado, empresas tradicionais estão avaliando, ativamente, como responder às mudanças trazidas pela economia digital. Para as corporações, o tempo de resposta (timming) é a essência. Os bancos comerciais estão a tentar inovar, sistematicamente, e usar ferramentas digitais para melhorar o seu negócio tradicional. Os governos estão a investir em infraestrutura. Em 2013, a Rede Nacional de Banda Larga da Austrália, por exemplo, teve como objetivo fornecer uma banda larga de velocidade de download de 1 GB/s para 93% da população em dez anos.
4.1 Sociedade sem dinheiro:
Uma sociedade sem dinheiro descreve um estado económico em que as transações financeiras não são conduzidas com dinheiro na forma de notas ou moedas físicas, mas sim através da transferência de informações digitais (geralmente uma representação eletrónica do dinheiro) entre as partes envolvidas. Sociedades sem dinheiro existem, com base em escambo e outros métodos de troca, e transações sem dinheiro, também, se tornaram possíveis usando moedas digitais como o bitcoin. No entanto, este artigo discute e enfoca o termo “sociedade sem dinheiro” no sentido de um movimento para, e implicações de, uma sociedade onde o dinheiro é substituído pelo seu equivalente digital – em outras palavras, moeda legal (dinheiro) existe, é registada, e é trocado apenas em formato digital eletrónico.Tal conceito tem sido, amplamente discutido, particularmente, porque o mundo está experimentando um uso rápido e crescente de métodos digitais de gravação, gestão e troca de dinheiro no comércio, investimento e vida diária em muitas partes do mundo, e transações que historicamente teriam foram realizadas com dinheiro são, geralmente, realizadas eletronicamente. Alguns países agora estabelecem limites para transações e valores de transação para os quais o pagamento não eletrónico pode ser legalmente usado.
Portugal no entanto recentemente adotou e acolheu a realização anual de “web summit” em resposta às demandas económicas a favor da economia cada vez mais digital, o que se espera que terá impactos positivos em economia portuguesa nas próximas décadas.
São exemplos como esses que os países pequenos, como a Guiné-Bissau, deviam seguir e implementar, apostando obviamente na formação do CAPITAL HUMANO, tendo em conta que a esmagadora maioria da população guineense é constituída pelos jovens; tendo em conta que cerca de 95% das empresas nacionais são PME’s.
Enfim, todos esses fatores conjugados, poderiam favorecer o desenvolvimento da economia digital no nosso país, por tanto a experiência da “INNOVALAB”, com as “start up” nela encubadas, poderá ser “uma pequena gota de água no oceano”, mas sem esta gota no “oceano económico” guineense, a nossa economia ficaria mais POBRE, pelo menos, do ponto de vista DIGITAL, em pleno século XXI.


Apenas uma opinião! 
Feliz Ano 2019…
Bissau, 4/1/2019


Referências:
Tapscott, Don. (1995). Digital economy: promise and peril in the age of networked intelligence.

Partilhar esta notícia...
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email

Deixe uma resposta

Close Menu