ILHA DE BOLAMA CARECE DE MÉDICOS

ILHA DE BOLAMA CARECE DE MÉDICOS

O principal hospital da Ilha de Bolama, no sul da Guiné-Bissau, enfrenta inúmeros problemas técnicos e humanos que estão a dificultar o seu normal funcionamento, revelou o director daquela unidade hospitalar na região de Bolama/Bijagós.

Conhecido como “Hospital Solidariedade”, a unidade pública hospitalar está com a falta de médicos, técnicos para laboratório, farmacêuticos, bloco operatório e não tem ambulância e transporte marítimo para transportar os pacientes.

Numa entrevista exclusiva a Rádio Jovem, Jornal o Democrata e a Televisão da Guiné-Bissau (TGB) feita no passado dia 25 de agosto do corrente ano, Graciano Mendes, revelou que neste momento o director regional de saúde na ilha e alguns enfermeiros é que têm desempenhado o papel de médico para dar consultas aos pacientes.

“Falando verdade a unidade hospitalar não tem médico e quem ocupa com esta responsabilidade é o director regional de saúde, porque ele em si é médico. Se ele tiver que deslocar a capital para resolver assuntos pessoais ficamos praticamente sem ninguém para atender os pacientes”, explicou Mendes.

Segundo a indicação de Mendes, em caso de necessidade, a direção do principal hospital que fica na zona insular da Guiné-Bissau, recorre aos enfermeiros para desempenhar o papel de médicos.

Além dos problemas já referenciados pelo director da unidade estatal, a equipa de reportagem da Rádio Jovem constatou também que o “Hospital Solidariedade” tem enfrentado o problema de falta de água no período da seca e de vedação dos edifícios.

Aos jornalistas, Mendes revelou que as receitas internas do centro não são suficientes para cobrir as necessidades do principal hospital de uma das ilhas mais próximas do território continental do país.

“A receita interna não é suficiente para resolver os problemas que a unidade estatal está a enfrentar, nomeadamente a vedação do hospital, uma das nossas grandes dificuldades nos últimos tempos. Embora a direcção do centro tenha a intenção de vedar o hospital”, sublinhou Mendes.

O responsável que trabalha desde 2016 no centro hospitalar assegurou que apesar das dificuldades em vários níveis, o “Hospital Solidariedade” de Bolama funciona administrativamente com vários serviços para prestar cuidados aos pacientes, nomeadamente serviço de laboratório, pediatria, maternidade, enfermaria, cirurgia, Paf, consultório e farmácia.

De referir que o “Hospital Solidariedade” foi reabilitado em 2016 graças ao apoio do governo de Timor-Leste e neste momento conta com 43 camas para pacientes, dos quais 32 estão em funcionamento.

Para além da visita ao hospital, a nossa equipa de reportagem constatou que a cidade de Bolama continua a enfrentar o problema de degradação nas principais instituições do Estado. Embora a ONG “Pró-Bolama” tenha feito várias intervenções a nível de infraestruturas, saúde, educação e meio ambiente para contribuir no processo de desenvolvimento da ilha.

O coordenador da ONG, Flaviano Silva Monteiro, disse a Rádio Jovem que a organização pretende instalar ainda este ano na ilha de Bolama uma rádio comunitária, graças ao apoio da Câmara Municipal de Cascais.

Fundada em 26 de Novembro de 2013, a ONG “Pró-Bolama” conseguiu já recuperar o parque infantil, jardim infantil municipal e a biblioteca municipal com mais de 50 mil livros, que é a maior do país.

Neste momento já conseguiu ganhar um projeto para trabalhar na luta contra a sida na ilha.

A ilha é rodeada por manguezal, sendo o clima de estações tropicais húmidas e secas.

Por: Alison Cabral

Foto: AC

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