GUINEENSES QUE FAZEM A DIFERENÇA NA SOCIEDADE

GUINEENSES QUE FAZEM A DIFERENÇA NA SOCIEDADE

São homens e mulheres, pais e mães. Circulam juntos pelas ruas de difícil acesso para pessoas com deficiência e quase que vão de mãos dadas pois só assim, em conjunto, conseguem transformar as dificuldades diárias na força mental e física capaz de superar as barreiras que a vida lhes impõe.

Como todos sabemos, os lugares públicos em Bissau não têm acessibilidades para pessoas de mobilidade reduzida. A esta lacuna junta-se ainda a inexistência de transportes coletivos adaptados e de táxis especiais para deficientes, assim como de simples rampas de acessos nos edifícios e lugares públicos.

A cadeira de rodas, na Guiné-Bissau, e a deficiência, são quase que uma condenação ao imobilismo, à solidão. São também uma condenação muita das vezes associada à pobreza.

São enormes as dificuldades que estas pessoas enfrentam no seu dia a dia. Ainda assim, estendem a mão uns aos outros e superam juntos para expor o talento mais do que o lamento, mais atenção e menos evasão; mais sensibilidade e menos indiferença; mais vontade de vencer e menos apatia.

Esse grupo de pessoas com deficiência, após uma longa maratona durante a semana, juntam-se aos sábados e domingos, no recinto polivalente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), para celebrar o melhor da vida: o amor ao próximo.

Partilham experiências, discutem ideias, comem juntos, dão conselhos uns aos outros, partilham problemas pessoais, cantam, dançam . . . E enfim vivem cada momento com a devida e merecida intensidade. Mostram que juntos estão mais fortes e são melhores.

Este gesto é de grande simbologia social para os guineenses. Acaba por ser um repto de que a Guiné-Bissau precisa: mais espaço para o bem comum e menos palco para o individualismo; mais espaço para lutar pela vida; e para construir uma vida melhor…

Que transformações seriam possíveis na nossa sociedade se o respeito e a admiração que agora se manifesta por esse grupo de pessoas com deficiência prosseguisse na decisão política, social e cultural, de colocar os mais frágeis no centro das prioridades, como sinal de verdadeira coerência entre o que se diz e o que se faz ?

É um apelo forte à bondade do Homem para a verdadeira mudança. É estender a mão a quem precisa para prosseguimos juntos a jornada de uma vida condigna, a que todos temos direito. . .

Braima Darame

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