GUINÉ-BISSAU NÃO DISPÕE DE LABORATÓRIO APROPRIADO PARA DIAGNOSTICAR DIABETES

GUINÉ-BISSAU NÃO DISPÕE DE LABORATÓRIO APROPRIADO PARA DIAGNOSTICAR DIABETES

A presidente Associação para a Saúde e Luta contra Diabetes no país (ASLUCODIABETE), Gisa Lopes, que vive na Suíça, constatou que a Guiné-Bissau não dispõe de um laboratório apropriado para diagnosticar e monitorar os casos diabetes.

A Gisa Lopes, que juntamente com a sua irmã gémea, a Misa Lopes, padecem de diabetes desde a nascença, diz que além da falta de um laboratório adequado, os serviços hospitalares não têm técnicos especializados na matéria da doença e o próprio sistema de saúde carece de um plano sanitário elaborado pela tutela para lutar contra diabetes, considerada a terceira principal causa de morte em todo o mundo.

“Apesar da vontade dos profissionais de saúde, que estão disponíveis para trabalhar e aprender como lutar contra diabetes, os nossos hospitais não estão apetrechados de equipamentos necessários para atender as pessoas com esta patologia”, explicou Lopes, visivelmente preocupada com aumento da doença na Guiné-Bissau.

Lopes, falava numa conferência de imprensa num dos hotéis da capital (19.10), quando fazia o balanço da visita de uma equipa dos profissionais de saúde do Departamento de Medicina Tropical e Humanitária dos hospitais universitários de Genebra (Suíça), que esteve no país fazer levantamento sobre a situação do diabetes e ajudar na prevenção da doença no país. A visita decorreu na semana passada.

Por seu lado, Jorge Correia, um dos médicos dos hospitais universitários de Genebra, reconhece que há uma grande falta de dados epidemiológico que permitisse precisar o número exato das pessoas com a doença no país, mas assegura que estão disponível para ajudar a Guiné-Bissau na luta contra diabete, na medida de possível.

“Agora vamos voltar para os hospitais universitários de Genebra para analisar os dados recolhidos na Guiné-Bissau sobre a situação da doença e discutir com as nossas hierarquias como podermos ajudar a melhor as pessoas com esta patologia. Mas vamos fazer esta ajuda em parceria com o Ministério da Saúde Publica guineense e com diferentes parceiros nos hospitais”, afirmou Correia.

De acordo com Correia, a organização onde trabalha é uma instituição com vocação para missões humanitárias nos países que mais necessitam, como é o caso da Guiné-Bissau, que está a lutar contra diabetes.

Também a Lídia Cardoso, um dos profissionais guineenses que têm lutado contra a doença no país, a par de médico e clínico geral Mboma Sanca, pediu engajamento do governo na luta contra esta patologia. Apelou às pessoas com diabetes a tomarem a alimentação equilibrada e fazer exercícios físicos regulares, como forma de melhorar a compensação da diabetes e o bem-estar.

Diabete é uma das doenças que mais têm aumentado sua incidência em todo o mundo. Fatores como o estresse e a obesidade têm sido determinantes para o expressivo crescimento no número de pacientes diabéticos, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Dados clínicos definem a diabetes como uma doença crônica, caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. A quantidade de glucose no sangue chama-se glicemia. A glucose, por sua vez, constitui a principal fonte de energia do organismo proveniente da digestão e transformação de alimentos como os amidos e açúcar (hidratos de carbono) presentes na alimentação.

Neste sentido, duas irmãs gêmeas guineenses com diabetes lançaram uma campanha para ajudar as pessoas com diabetes, principalmente crianças na Guiné-Bissau.

Gisa Lopes e Misa Lopes são filhas de pais com diabetes, bem cedo Gisa Lopes teve que sair do país para encontrar a melhor forma de tratamento contra a doença e encontrar remédios para ajudar a sua irmã que ficou em Bissau, com o mesmo problema.

Após ter recebido vários medicamentos para o tratamento vindo da Suíça, Misa Lopes conclui que existem muitas pessoas com problemas diabéticos no país e isso fez com que as duas irmãs decidissem criar uma associação para ajudar as pessoas afetadas com diabete de forma gratuita.

No mundo existem dois tipos do diabetes: 1 e 2. No diabete tipo 1 o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina em decorrência de um defeito do sistema imunológico, fazendo com que os anticorpos ataquem as células que produzem esse harmónio. O diabetes tipo 1 ocorre em cerca de 5 a 10% dos pacientes com diabetes.

No diabetes tipo 2 existe uma combinação de dois fatores – a diminuição da secreção de insulina e um defeito na sua ação, conhecido como resistência à insulina. Geralmente, o diabetes tipo 2 pode ser tratado com medicamentos orais ou injetáveis, contudo, com o passar do tempo, pode ocorrer o agravamento da doença. O diabetes tipo 2 ocorre em cerca de 90% dos pacientes com diabetes.

Por: Alison Cabral

Deixe uma resposta

Close Menu