GOVERNO GUINEENSE CONDENA TRATAMENTO DESUMANO DOS CIDADÃOS NA LÍBIA

O executivo da Guiné-Bissau manifestou a sua indignação e repúdio ao tratamento desumano em execução na Líbia contra cidadãos guineenses e estrangeiros, soube a Rádio Jovem através de um comunicado do Conselho de Ministros divulgado  quarta-feira (22 de Novembro de 2017).

Desde a última semana, um vídeo está a agitar o mundo. Nas imagens publicadas pela CNN, dois africanos negros aparecem num canto escuro, enquanto um leiloeiro os oferece como escravos por 400 dólares cada um. Isso está a acontecer na Líbia. A razão, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, pelo menos 20 mil migrantes são mantidas em cativeiro em Trípoli- porta principal de saída dos africanos para chegar a Europa.

Segunda a mesma nota, o colectivo governamental instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Malú no sentido de adotar medidas conducentes a identificação e localização de mais cidadãos guineenses que, eventualmente, ainda estejam na Líbia em idênticas circunstâncias.

O executivo reconheceu e agradeceu a Organização Internacional das Migrações pelo apoio concedido e que permitiu o regresso ao país de alguns concidadãos vítimas de tratamentos desumanos no território Líbio, lê-se ainda no comunicado do Conselho de Ministros.

Por fim, o governo pretende reforçar a campanha nacional de Sensibilização, junto dos órgãos de comunicação social, públicos e privados, sobre os riscos e consequências nefastas da emigração clandestina e trabalhar com as estruturas competentes para a criação de condições de um melhor enquadramento dos jovens.

Os escravos são jovens da África subsaariana. A maioria vem de países como Nigéria, Guiné-Bissau, Burkina Faso ou Costa do Marfim, mas também da Eritreia ou da Somália. São muitas vezes jovens sem perspectiva de vida e acreditam que, se seguirem rumo a Líbia, vão chegar a Europa e encontrar um trabalho. No entanto, milhares deles acabam presos em campos imensos onde são mantidos até serem vendidos.

Perante situação, a Liga Guineense dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau (LGDH), em parceria com varias organizações da sociedade civil, vai promover esta quinta-feira (23 de Novembro de 2017) uma vigília frente a Embaixada da Líbia no país, para exigir o fim da criminosa ação de escravatura a que os emigrantes africanos são submetidos naquele país, soube a Rádio Jovem através de uma fonte junto da organização.

De acordo com a fonte, a iniciativa, vai culminar com a leitura de uma declaração que exigirá entre outras coisas, a abertura de um inquérito internacional conduzido pelo TPI (Tribunal penal internacional) com vista a identificação e consequente responsabilização criminal dos autores morais e materiais de tais crimes contra a humanidade.

De recordar que no inicio desta semana, a presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faty Mahamat, informou aos jornalistas na capital da Etiópia, Addis Abeba, que a UA iniciou uma investigação sobre o leilão de migrantes africanos como escravos por grupos armados na Líbia.

Segundo Mahamat, eles vão tentar obter acesso a centros de detenção ilegais nos quais os migrantes são mantidos sem razões legais.

A presidente da Comissão da UA disse ainda que despachou seu comissário para Questões Sociais, Amir El Fadil, como enviado especial à Líbia para iniciar o inquérito.

A UA apelou aos seus 55 Estados membros que forneçam suporte logístico com o objetivo de enviar os migrantes presos na Líbia para seus países de origem.

 

Por: Alison Cabral e Sãozinha Costa

Fonte: DW

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