GENERAL EMÍLIO COSTA: “OS GUINEENSES RESIDENTES NA COSTA DO MARFIM ENFRENTAM DIFICULDADES NO ACESSO A SERVIÇOS CONSULARES DO NOSSO PAÍS”

GENERAL EMÍLIO COSTA: “OS GUINEENSES RESIDENTES NA COSTA DO MARFIM ENFRENTAM DIFICULDADES NO ACESSO A SERVIÇOS CONSULARES DO NOSSO PAÍS”

 O antigo vice chefe do estado maior das forças armadas da Guiné-Bissau, que reside atualmente   em Abidjan, capital da Costa do marfim, onde desempenha a função de encarregado político da representação residente da  Comunidade econômica dos estados da África ocidental (CEDEAO) e igualmente encarregado de assuntos de segurança da representação, concedeu uma breve entrevista  à Radio Jovem, ao longo da qual falou da  experiência adquirida durante seu trabalho  na CEDEAO bem como lançou um apelo concernente ao atual momento de impasse político que a Guiné-Bissau vive.

Durante a entrevista, o tenente general Emílio Costa que vive sensivelmente há 10 anos na capital Ivoriense, revelou que os imigrantes guineenses que vivem naquele país do continente africano se deparam com a falta de interesse ou compreensão do consulado guineense em zelar e resolver seus problemas, por outro lado pediu um maior engajamento e presença do cônsul honorário em representar a Guiné-Bissau naquele país.

Rádio jovem (RJ): durante seu trabalho na CEDEAO o que o senhor aprendeu a cerca de procedimentos a nível político, sendo que a organização para qual trabalha lida fortemente com questões políticas sobretudo no que diz respeito a resolução de conflitos?

Emílio Costa (EC): Durante minha estadia aqui, tive a oportunidade de aprender muita coisa sobre prevenção de conflitos, a CEDEAO desempenha um papel importante neste aspeto, para evitar que conflitos aconteçam, foram criadas várias estruturas como é o caso de “alerta precoce” que trabalha para que potenciais situações que possa culminar em conflitos sejam evitados.

(RJ): Como cidadão guineense, que análise o senhor faz do impasse político que o país tem vivido?

(EC): Enquanto cidadão, eu apelo ao diálogo pois só assim é possível dar fim ao impasse, retornar à normalidade para que o país possa finalmente encontrar seu caminho para o desenvolvimento assim como acontece em outros países do continente sobretudo aqui na sub-região. Sinto uma tremenda mágoa quando vejo países da sub-região se desenvolvendo cada dia que passa e o meu país ficando para trás.

(RJ): Na qualidade também de um imigrante, o que o senhor pode nos dizer sobre os imigrantes guineenses que vivem cá?

(EC): Existem guineenses que vivem cá e que passam por enormes dificuldades para resolver seus problemas no que toca com a questão de serviços consulares, pois o consulado não parece mostrar mínimo interesse em zelar e resolver seus problemas, muitas das vezes recorrem a mim para pedir ajuda, embora eu não esteja trabalhando aqui no âmbito do consulado da Guiné-Bissau, eu tento orienta-los no sentido de tentar ver o que pode ser feito, por que existe também aqui uma associação. O cônsul honorário se ausenta até dos eventos e reuniões a nível da representação oficial do país aqui no governo da Costa de marfim e a nível da CEDEAO, já envidei esforços no sentido de lhe pedir para que venha participar, no entanto não surtiu efeito.

(RJ): Que perspetivas a CEDEAO tem face a resolução de problemas que se registam em países africanos, como é o caso do Togo,

E claro Guiné-Bissau não fica de fora?

(EC): Não posso falar em nome da CEDEAO, mas na visão que eu tenho sobre a CEDEAO e na minha opinião pessoal a CEDEAO sempre pautou por incentivar   a resolução de crises e conflitos via diálogo, de uma forma pacífica e acho que continuará a fazê-lo desta forma.

(RJ): O senhor tem algum comentário sobre o tão comentado Acordo de Conacri?

(EC): Francamente, não posso opinar acerca do acordo de Conacri pois não estou completamente inteirado sobre este assunto, no entanto, peço a todos os guineenses que pautem pelo diálogo, pois só assim é possível nos unirmos como outrora.

/ / Claúdio António Rumal e Janna Barbosa

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