FORÇAS DE SEGURANÇA REPRIMEM BRUTALMENTE MANIFESTANTES DO COLETIVO DOS PARTIDOS POLÍTICOS

FORÇAS DE SEGURANÇA REPRIMEM BRUTALMENTE MANIFESTANTES DO COLETIVO DOS PARTIDOS POLÍTICOS

As forças de segurança da Guiné-Bissau dispersaram esta quinta-feira, 16 de Novembro de 2017, milhares de manifestantes apoiantes do Coletivo dos Partidos Políticos Democráticos, que hoje saíram à rua para protestar contra a atuação do Presidente da República, José Mário Vaz, exigir o  cumprimento do Acordo de Conakri e a demissão imediata do Governo liderado por Umaro Sissoco Embaló.

Muito cedo, às 7 horas da manhã, os manifestantes concentraram-se na Chapa de Bissau, centro de cidade, e às 9 horas e 30 minutos tinham deixado o local em direção à Praça dos Heróis Nacionais, e quando chegaram à sede de Sport Bissau Benfica encontraram dois cordões de polícias sem armas,  nem gás lacrimogênio.

O Democrata constatou que atrás dos dois cordões policiais estava outro grupo equipado de escudos e bastões. Mais adiante, encontrava-se o último grupo de retaguarda com armas automáticas de fogo.

Depois de pouco menos de uma hora de paragem na sede de Benfica de Bissau a espera de uma autorização para seguirem até à praça dos Heróis Nacionais, os manifestantes conseguiram escapar-se da vista dos agentes de segurança, chegaram à Praça dos Heróis Nacionais pela via lateral da Embaixada da África de Sul.

Apercebendo-se da táctica dos marchantes, a polícia reagiu com gás lacrimogênio e em resposta os manifestantes lançaram pedras e garrafas contra as forças de segurança. O ambiente é de confusão total.

Minutos depois, pela segunda tentativa de penetrar à praça, a polícia respondeu fortemente e dispersou os manifestantes e seguiu-os um por um com pancadarias.

O líder do Partido Africana da Independência da Guiné e Cabo-Verde, Domingos Simões Pereira, do Partido Jovem, Serifo Baldé, e do Partido da Convergência Democrática, Vicente Fernandes se encontravam no local e tentaram apaziguar os ânimos entre polícias e manifestantes.

Na tentativa de fazer as partes se entenderem o corpo de segurança do presidente de PAIGC quase entrava em choque com forças de segurança na praça dos Heróis Nacionais. Houve empurrões  de ambos os lados.

Face à resistência dos marchantes que se seguiam em direção à Praça dos Heróis Nacionais, a equipa de escudos abandonou Avenida Osvaldo Vieira, sede de Sport Bissau Benfica, para reforçar a posição da Guarda Nacional e outras forças policiais na periferia do “Império”. A partir deste momento, o confronto se intensificou e os líderes do Colectivo foram retirados do local por razão da segurança.

Ao largo das instalações da União Desportiva Internacional da Guiné (UDIB) tudo estava calmo. A polícia tinha tomada controlo do local, fechando todas as vias que dão acesso à praça do império.

Contudo, depois dos marchantes aquecerem o ambiente o local ficou totalmente inundado entre polícias e os manifestantes. Um autêntico ambiente de “guerrilha” no centro da cidade entre apoiantes do Coletivo e as forças de ordem.

Durante confrontos, alguns manifestantes foram feridos, detidos e levados para instalações policiais, em Bissau. Entre feridos se encontravam  crianças. Embora terem recebido os primeiros socorros da equipa da Cruz Vermelha da Guiné, um dos os menores atingido, provavelmente pela polícia, no pescoço, encontrava-se em estado crítico antes de ser levado para Hospital Nacional Simão Mendes.

A equipa da reportagem de O Democrata não conseguiu, pelo menos, registar a imagem de um único polícia ferido.

Entretanto, o Ministério do Interior, em comunicado distribuído à imprensa, havia autorizado a marcha, mas horas depois reagiu através de uma nota, informando que os marchantes não podiam ultrapassar a sede de Benfica e nem ter acesso à Praça dos Heróis Nacionais junto ao Palácio da República.

REPRESSÃO POLICIAL DEIXA TREZE FERIDOS SOCORRIDOS NO HOSPITAL SIMÃO MENDES

As Forças de segurança reprimiram brutalmente os marchantes que exigiam do Presidente José Mário Vaz, o cumprimento do Acordo de Conacri. O Democrata testemunhou que 13 pessoas deram entrada ao serviço de urgência do Hospital Nacional Simão Mendes, com ferimentos corporais e outros no crânio. De acordo com a explicação do médico responsável do Serviço de Urgência daquele estabelecimento hospitalar, um número de sete manifestantes foi atendido no serviço de cirurgia geral, três no Ortopedia e restantes foram levados para observação nos outros serviços.

Entretanto, aguarda-se para esta tarde a reação oficial do Coletivo, depois de uma concertação agendada para o período da tarde.

Fonte do Coletivo confirmou ao Democrata que a marcha de manha (Sexta-feira) será realizada com o mesmo propósito de chegar à Praça dos Heróis  Nacionais – imediações do palácio da república, onde se pretende realizar um comício para exigir o Chefe de Estado, José Mário Vaz, o cumprimento do Acordo de Conacri.

 

Por: Assana Samú  ⁄ Filomeno Sambú

Fotos: Marcelo Na Ritche

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