Execução do plano Terra Ranka depende da estabilidade da Guiné-Bissau – ex-dirigente da ONU

Execução do plano Terra Ranka depende da estabilidade da Guiné-Bissau – ex-dirigente da ONU

O antigo adjunto do secretário-geral das Nações Unidas e membro dos quadros que produziram o documento estratégico Terra Ranka para a Guiné-Bissau, Carlos Lopes, acredita que a implementação do programa está dependente da estabilidade no país.

“Não está em causa a aceitação de um plano dessa natureza pela comunidade internacional e pelos investidores, para além da comunidade internacional. O que está em causa é se existem condições de estabilidade para se acreditar que o plano vai ser implementado”, disse hoje Carlos Lopes à Lusa.

O plano Terra Ranka pretende abranger as áreas de governação e paz, infraestruturas, industrialização, desenvolvimento urbano, desenvolvimento humano e biodiversidade.

Para o economista, o Terra Ranka, que conseguiu uma promessa de 1,5 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros) em 2015, numa mesa-redonda realizada em Bruxelas, “é um plano que tem lógica”.

“Esse plano, que eu ajudei a montar, é um plano que tem lógica, as suas prioridades estão extremamente bem escolhidas”, afirmou, referindo que as prioridades constantes no documento “têm a ver com o longo prazo” e que a sua apresentação aos doadores internacionais foi “convincente”.

Na mesa-redonda de 2015, que reuniu cerca de 300 participantes (incluindo Portugal), foram anunciadas contribuições de 250 milhões de euros pelo Banco Mundial, 300 milhões de euros pelas Nações Unidas e 160 milhões de euros pela União Europeia.

Para alcançar a estabilidade na Guiné-Bissau, Carlos Lopes sugere o ajustamento da Constituição do país.

“Eu acho que todos os guineenses estão de acordo que esta Constituição tem de ser ajustada. Ela já nos criou muitos problemas, mostrou a sua inadequação”, considerou.

Na opinião do economista, o sistema semipresidencial da Guiné-Bissau, nos seus atuais moldes, “provou que era fator de distúrbio e de problemas”.

A Guiné-Bissau vive desde 2015 uma crise política, que teve início com a demissão de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC – Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, do cargo de primeiro-ministro, depois de o partido ter vencido as eleições de 2014 com maioria.

Desde então foram nomeados vários primeiros-ministros.

Na sua participação na conferência “África em transformação: desenvolvimento económico em tempos de incerteza”, realizada no âmbito do 1.º Ciclo Internacional de Conferências em Ação Humanitária, promovido pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Carlos Lopes, que também foi secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, apresentou uma síntese do seu livro, com o mesmo nome da conferência.

Para o economista, África é alvo de uma narrativa que vê o continente de uma forma distante da realidade, defendendo que este tem capacidade para ser protagonista de uma evolução nos próximos anos.

No seu livro, Carlos Lopes alerta para a importância dos dados estatísticos e sublinha que África é prejudicada pela deficiência na recolha de informação no terreno.

“O que eu tento mostrar no meu livro é que é possível fazer uma leitura completamente contrastada em relação às opiniões habituais por causa desse conhecimento estatístico”, disse.

LUSA

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