Cutileiro, o diplomata que percebeu Mandela antes dos outros!

Cutileiro, o diplomata que percebeu Mandela antes dos outros!

Nos 100 anos do nascimento de Nelson Mandela, fomos ouvir diplomatas e políticos portugueses que acompanharam o fim do apartheid. Uma história de instintos, tensões e diplomacia na corda bamba. E de um embaixador com ideias diferentes.

Um mês depois de aterrar na África do Sul como embaixador de Portugal, José Cutileiro enviou um telegrama secreto para o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Se o gesto era normal, a mensagem de banal não tinha nada.

Em 1989, viviam na África do Sul meio milhão de portugueses, muitos deles fugidos de Angola e de Moçambique com a roupa que tinham no corpo e uma convicção: tinham sido abandonados por Lisboa. Por essa razão — mas não só —, tudo o que a diplomacia portuguesa fazia na África do Sul era executado com pinças.

Como a maioria, Portugal era contra o apartheid. Mas era, ao mesmo tempo, um dos raros países europeus que votavam contra as sanções para asfixiar o regime. Isolados, os líderes sul-africanos tinham pouquíssimos interlocutores na Europa. Lisboa, que via o diálogo com Pretória como vital, era um deles. O objectivo era defender três “interesses nacionais”: Angola, Moçambique e a comunidade portuguesa na África do Sul. “Era um equilíbrio entre a defesa dos nossos princípios e a defesa dos nossos interesses”, diz ao PÚBLICO Aníbal Cavaco Silva, então primeiro-ministro. Uma diplomacia na corda bamba? “Naquela altura, naquelas circunstâncias, é uma imagem correcta. É realpolitik”, diz com um sorriso, o único numa hora de entrevista no seu gabinete no antigo Convento do Sacramento, em Lisboa.

//Jornal público

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