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O LEGADO DA ESCRAVIDÃO E O SEU REFLEXO NO NEOCOLONIALISMO

11 Março 2018 Opinião





Num olhar atento e crítico percebe-se que, em muitas partes do continente africano, as questão políticas dominam as discussões de diferentes camadas da sociedade. Por conseguinte, o número de políticos fictícios crescem a grosso modo, a medida que surgem novos conflitos. Isso invisibiliza o que considero um dos maiores problemas do continente africano, o legado da escravidão, que o neocolonialismo propaga.

Assim, os sete sapatos sujos descrito por Mia Couto, ainda se encontram num repositório em que o resgate aparece numa situação de frustração para os líderes africanos, que apresentam como verdadeiros filhos do continente, mas com a mentalidade europeia, num olhar estereotipado para a África.

O sétimo sapato sujo, cujo “a ideia de que para sermos modernos precisamos imitar os outros”. Nisso, a democracia tem constituído um dos problema aos líderes africanos, porque ela se configura nos moldes fora da sociedade do continente. No entanto, o modernismo democrático precisa de uma configuração que atenda a convivência social africana. Deste modo, criar o nosso modelo democrático não nos tira a legitimidade de sermos moderno, pois o modernismo não se define pelo conceito do desenvolvimento a partir do Ocidente.

Ora, os graves problemas políticos e não só que a África enfrenta faz com que, os africanos (alguns) vêm a Europa como salvação da vida.  A emigração pelo velho continente se pluraliza a cada vez mais.

Ao longo de vários anos, alguns estudiosos consideram África como terra dos infelizes (Hegel, etc). O processo escravocrata deixou uma lavagem cerebral, ou seja, o legado, em que o africano ou negro se encontra numa configuração do incapaz. Nesse ensejo, a nossa tarefa perante essa situação é de criar mentes capazes de enxergar as narrativas com um olhar crítico para desconstruir, porque:

– a escravidão terminou teoricamente, mas o neocolonialismo impera, em partes a nossa libertação se restringe apenas no espaço territorial, mas ainda a mente de algumas pessoas é europeia, por mais que sejam africanos.

O processo de escravidão deixou sinais negativos na mente dos africanos, onde a pele negra se encontra no imaginário (horrível), essa lavagem cerebral impeça, os africanos (alguns) de acreditarem que a mesma não simboliza a tristeza e muito menos a incapacidade.

O neocolonialismo faz as pessoas transformarem os seus fenótipos e usam produtos para mudar a cor da pele, porque a “cor branca representa valores positivos” assim sendo, estaremos sempre naquilo que, o Franz Fanon chama de “Peles negras e máscaras brancas”. Precisamos valorizar a cor da nossa pela e a nossa africanidade. Como dizia o Du Bois, “Sou negro e me glorifico deste nome; sou orgulho do sangue negro que corre em minhas veias”

O neocolonialismo impera, porque:

– os líderes africanos (maior parte) investem o dinheiro nos bancos da Europa, fazem consultam nos hospitais europeus, enviam os seus filhos para estudarem nas grandes universidade europeias e americanas.

–  a mulher africana (na sua minoria) se sente bonita quando usa cabelo humano;

– as práticas culturais africanas não têm valor diante das religiões vindas do Oriente;

– o cristianismo e islamismo foram usados para nos escravizar e hoje estão sendo usados para nos catequisar;

– até o momento desconheço um caso onde, uma mulher branca (rica) casou com um homem negro (pobre), mas os pobres africanos (na sua memória) quando começam a ascender na vida procuram a mulher branca para casar. Com isso não quero dizer o (separatismo), ou seja, o homem negro só deve casar com a mulher negra.

Essa conduta demostra claramente a nossa inferioridade perante os europeus. Nisso sigo nas linhas do pensamento do grande intelectual africano, Joseph Ki-zerbo, “Para quando a África”?

O problema do continente africano não é a taxa de natalidade, mas sim a infiltração dos europeus (neocolonialismo) em África.

Para finalizar gostaria de deixar alguns questionamento, independentemente dos do que foram deixados na parte superior desse texto – porque os africanos não se uniram após o processo escravocrata? Porque os problemas do continente não são resolvidos internamente? Porque ainda usamos a língua dos colonizadores como oficial? Porque usamos a moeda dos colonizadores?

O negro africano tem que exprimir sua personalidade e recusar a assimilação.

 

Tedse Silva Soares da Gama.

Graduando em História na Universidade da Integração

Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira- UNILAB.
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