Inicio
| WWW.RADIOJOVEM.INFO | 102.8MHZ | 24/24 & 7/7 |
  • Inicio
  • Opinião
  • “Guiné ka na kumpu.” O impossível não é um facto é só uma opinião.

“Guiné ka na kumpu.” O impossível não é um facto é só uma opinião.

13 Fevereiro 2018 Opinião





A Guiné-Bissau não vai se construir. Quando se fala da construção dum país neste caso do nosso, evidentemente vais falar da mudança. Uma mudança radical em todos aspetos tais como cultural, sócio-político e entre outros, radicalidade que vai abranger toda camada social para firmar o país. Mas, para isso é preciso experienciar uma mente revolucionária.

A preocupação de todos nós é que já lá vão quase meio século, depois da nossa independência, nitidamente a política é o centro de tudo e de todas involuções que têm acontecido durante estes anos no país. De uma forma ou de outra culpamos a política e os políticos por não terem resolvido as questões básicas como a saúde, educação, energia elétrica/água etc. E, ao longo do tempo criaram complicações desnecessárias.

Complicações estas que nos afundam cada dia impedindo a progressão do sector privado e investimento estrangeiro, consequentemente instigam o desemprego, fome e ampliam o sofrimento do povo. Infelizmente os nossos políticos não têm maturidade e responsabilidade política e constatam com a vista grossa o avanço dos vizinhos, que julgamos não possuírem de tantos recursos naturais como nós. Mas, se calhar estão possuídos da mente patriótica que nos faltam.

 

Pergunto. Será que a Guiné-Bissau vai mudar?

 

Lamentavelmente que terá uma resposta “não” pela maioria dos guineenses como alguns sujeitos já tinham me respondido afirmando categoricamente que é e será impossível  esta mudança tão almejada, justificando que, no nosso país existem pessoas sem espírito patriótico, maus de espírito, de má fé, egoístas, corruptas e outras más características que acabam por afetar toda camada social e estão enraizadas principalmente na política e administração pública que naturalmente são setores chaves. E, de uma forma alarmada as crianças e os jovens que são futuro da nossa querida pátria já estão contidos das  características acima citada. Concluíram que com tal idiossincrasia não vamos a sítio nenhum é preciso mudança, e esta mudança que é um problema e uma questão considerada misteriosa.

 

Na verdade a justificação destes sujeitos infelizmente é uma realidade existente, cada um de nós pode testemunhar-la e invocando outras.

 

Caro leitor. É verdade que  esta pátria de Amílcar Lopes Cabral que custou sangue dos nossos avôs não vai mudar?

É verdade que a única vitória e mudança que podemos conseguir foi a independência?

Será que a nossa geração não pode sacrificar como os nossos avôs que libertaram o país?

É verdade que não vais fazer parte desta mudança?

É verdade que não podemos unir?

 

Creio que podemos. Se achas que não, estás totalmente equivocado, sabes por que?

Porque o impossível não é um fato é só uma opinião.

Se esta frase não te convence, prossiga a leitura, e te mostro homens que demonstraram que o impossível não é um fato é só uma opinião sua, que não vai te permitir observar além do óbvio e vai te deixar confortável com a situação em que se encontra.

 

Quando o Amílcar Cabral o pai da nação tinha a ideia de lutar contra a colônia portuguesa que estava possuída de arsenais de guerra sofisticadas e, nós não tinhamos nada exceto instrumentos de lavoura, catana e varas de madeira (manduku). Evidentemente que era impossível defrontar exército português considerando a nossa condição na altura e era impossível acima de tudo pensar na vitória. Mas, nos olhos de Abel Djassi podia ver uma grande refutação.

Amílcar reuniu o povo à vitória impossível na altura.

 

Outro caso é de uma das memórias africanas Nelson Mandela, o pai da moderna nação sul-africana. Principal representante do movimento antiapartheid, considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade e um África do Sul feliz, era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia. Lutar contra o apartheid na altura custava vida às pessoas, foi um regime muito forte e bem enraizado. O Nelson era advogado podia passar tempo tomando conta da própria vida e da sua família, mas esta não era a ideia do Mandela viver bem e o resto do povo sofrendo, só para frisar.

Era impossível lutar contra apartheid?

Era impossível passar 27 anos na prisão inclusive 18 anos numa solitária e depois se tornar prémio nobel da paz, presidente da república e perdoar todos seus inimigos ?

É, tudo isto era impossível inclusive mudar o comportamento das pessoas nesta época, mas para o Mandela a própria sociedade podia reverter a situação, isto é, tornar o impossível no possível.

 

Quando o Barack Hussein Obama era pequeno disse a sua avó que ele ia ser o presidente dos EUA, a avó lhe respondeu “vai que você pode”- contou Obama num dos seus livros.

Mas, que ridícula ideia deste menino, primeiro tem um nome literalmente Muçulmano “Hossein” segundo é um negro. Deves estar a perguntar.- Ele estava louco?

Afinal o Martin Luther King Jr que liderou a sociedade americana à mudança de comportamento(combate à desigualdade racial através da não violência), estava também louco ao afirmar “I have a dream”- eu tenho um sonho.

Ora bem, em 2008 toda loucura acabou o impossível tornou-se possível, quando Obama foi eleito primeiro presidente negro dos EUA.

Voltando ainda atrás, o Luther tinha lutado por uma causa e morreu pela mesma, mas devemos lembrar que da fruta de luta do King Jr estamos a alimentar hoje tal como do Amílcar Cabral.

 

Os nossos filhos vão alimentar do nosso conformismo, cobardia e da nossa preguiça? Espero que haja a resposta.

 

Não me diga que estas pessoas tiveram a sorte, aliás a sorte segue a coragem e, nem tem a ousadia de reclamar sustentando que são situações diferentes com a sua. Claro, que são diferentes, as eras são diferentes, espaço e momentos são distintos. Amílcar Cabral, Nelson Mandela e Barack Obama lutaram como você e eu podemos lutar hoje.

Não seja uma ignávia, lute para mudança, esta é a sua oportunidade, deixa de reclamar que governo não fez isto e aquilo, que os políticos são isto e aquilo. Tenta não ser séptico ao futuro dos seus filhos, mas sim um remédio.

Qual é a sociedade deste planeta que não passou pela turbulência?

É evidente que estas sociedades que consideramos hoje boas, não tiveram as histórias tão perfeitas como alguns erroneamente acham, mas tiveram a coragem de enfrentar as dificuldades com base na união, determinação, sofrimento e foco em busca do objetivo.

 

É verdade que mudar é complicado, mas continuar nesta situação é perecer.

 

Lembro de uma das frases do fantástico Mahatma Gandhi -”seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Todos nós temos uma cota parte na construção desta pátria querida Guiné-Bissau, quando falo de todos quero ilustrar toda esfera social seja lá professor, aluno, estudante, médico, agricultor, condutor, jornalista etc. dá o seu melhor, seja o melhor na sua área e vamos todos juntos atingir lá.

A mãe Guiné precisa de todos nós, da nossa união, do nosso suor e do nosso sangue para lhe fazer feliz.

 

Pelo menos devemos ter  vergonha na cara ao afirmar estas frases: “Guiné ka na kumpo” e “Nta ami ku na kumpo Guiné” expressões pessimistas, de cobardia e cépticos.

Devemos ter vergonha na cara a mentir perante o povo.

Devemos ter vergonha na cara quando estamos a ostentar o que é do povo.

Deves ter vergonha na cara quando governas e vives bem, e o resto do povo está numa miséria.

Devemos ter vergonha na cara quando nos importa resolver só o nosso interesse e do nosso partido e, comprometemos com ideias do partido e não pelo que assumimos com o povo.

 

Se agora acreditas na mudança da Guiné primeiro passo a dar, é eliminar esta ideia dos cobardes”NTA AMI KU NA KUMPO GUINÉ”. Humildade, generosidade, coerência,  honestidade, sinceridade, responsabilidade e outros são estas qualidades que devem nos nortear.

 

Devemos começar a viver com o que era o entusiasmo de Amílcar Cabral.

PODEMOS MUDAR E VAMOS MUDAR.

 

// Galileu José Oritambadé





Partilhar

Deixa um comentário

O seu endereço de email não vai ser publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *