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AS GERAÇÕES DIVIDIDAS PELO CONTEXTO POLÍTICO NA GUINÉ-BISSAU

7 Novembro 2017 Opinião





A Guiné-Bissau vive atualmente uma das mais profundas crises politica, social e Econômica que põe em risco a coesão nacional. Desde 2015, o país ficou literalmente parado devido a uma chamada crise institucional provocada pela disputa de puder entre os atores políticos do país. As principais instituições da republicas, símbolos dos Estado, estão completamente de costas voltadas e num total desrespeito pelas leis do país.

 

A sociedade guineense está profundamente devida. A intolerância, insultos e ameaças são sinais mais visíveis nas comunidades e nas redes sociais. O custo de vida subiu e uma população cada mais pobre, resultado da ganancia e o extremar de posição por parte dos atores políticos que há dois anos não se entendam, facto que originou cinco governos desde 2015, um record.

 

Toda a comunidade internacional, inclusive o Conselho de Segurança da ONU, organizações da sociedade civil, líderes religiosos, organizações sub-regionais, antigos Chefes de Estado, Presidentes dos países amigos, apelaram ao dialogo e o bom-senso entre as partes para acabar com a crise. Ignoram completamente. Em março último, a Comunidade Internacional assistiu, em Conacri, a assinatura de um acordo entre as partes para escolha de um novo primeiro-ministro de consenso e formação de um governo que geriria o país até a realização das eleições legislativas.  Mal chegaram em Bissau começaram logo a fazer a interpretações bastante diferentes do documento que os próprios assinaram em Conacri. A crise agrava. Nos últimos três meses a crise ganha outro tom de voz e faz aumentar o ódio e a intolerância.

 

A falta de credibilidade interna gerada por um processo de pré-julgamento leva com que ninguém acredita em ninguém. Fazem da crise política uma luta de vida ou morte pela sobrevivência.

As organizações da Sociedade Civil estão a ser acusadas pelas partes em litígios de serem parciais e corruptos. O descredito interno acaba por afastar a possibilidade de se obter uma solução interna para a crise, tal como tem vindo a reclamar a comunidade internacional. O povo não confia nos políticos, políticos não confiam nas instituições e não se respeitam.

 

Num país extremamente jovem como a Guiné-Bissau espera-se que o papel da juventude seja mais interventivo, inconformado com as ações dos políticos, numa perspetiva de reclamar a profunda mudança, exercendo a cidadania ativa. Hoje em dia, mesmo que a juventude esteja a falar a verdade quase que ninguém a leva sério devido a descredito da sociedade. Varias posições públicas dos lideres juvenis foram postas em causa. Tudo gira à volta de um alegado suborno político, dizem. O mesmo pode-se das organizações da sociedade civil. O fenômeno “BLOG” acaba por desacreditar toda a imprensa local. É que a maioria da opinião pública não sabe distinguir o que é uma página na internet feita por um individuou para escrever o que bem entender, com um órgão de comunicação social, legalmente constituído. A confusão gera confusão que põe em causa o trabalho jornalístico no terreno. Quando um blogger escreve uma asneira a mando da parte que lhe financia, vais encontrar quem o diga que saiu na imprensa.

Apesar de toda essa confusão, pude notar que ainda tem pessoas com caráter e sentido patriótico, a prova disso, menciono a Rádio Jovem, uma estação emissora que funciona a título voluntário, local onde eu trabalho há 13 anos, totalmente jovem e dinâmico, pelo menos até aqui, não caiu nas jogadas políticas. Nas eleições passadas, recebemos uma proposta de 35 milhões a favor de um candidato, mas, não aceitamos.

Os funcionários não esperam receber um montante no final do mês, eles trabalham por amor a profissão, mas, não é por isso que vão entrar no jogo dos políticos deixando a classe jovial ainda mais vulnerável, sabendo que toda juventude guineense depositou a sua confiança nas nossas mãos, esta rádio revolucionou a forma de fazer rádio na guiné e foi a primeira rádio disponível na internet, apesar de não ter meios, mas, isso não impediu que funcionasse 24/24 e 7/7.

A falta de valores, do respeito pelas Leis do país e do verdadeiro sentido de Estado continuam a minar os progressos para alcançar a estabilidade política e governativa. Há um vazio no espaço de debate juvenil sobre o seu papel perante a sociedade guineense. Exija-se uma juventude que assumirá a sua responsabilidade diante dos desafios que o país com se depara.

 

Nunca na história da democracia guineense, o Poder Judicial é desrespeitado como agora, nunca as Leis e as decisões dos Tribunais não são cumpridas como agora, nunca o papel dos tribunais foi posto em causa como nos últimos anos e nunca atores políticos humilharam e ignoraram a justiça com o que tem acontecido na Guiné-Bissau. Foi e é uma autentica vergonha.

 

A grande questão que se coloca no meu país é: como acabar com as constantes instabilidades políticas? Daí a organização, a VOZ DI PAZ, entende que é preciso parar para refletir melhor, delinear novas estratégias e sobretudo ouvir todo mundo, o que cada um tem a dizer sobre o seu país. Esta organização não governamental, inicia há um tempo atrás, um processo de auscultação as mulheres guineenses, as verdadeiras combatentes que perante o não funcionamento do país evitou que a família passasse fome em casa. A VOZ DE PAZ defende um número maior da mulher guineense na esfera de tomada das importantes decisões como uma outra solução para a almejada paz social e estabilidade política.

 

Um outro ponto que pude observar na Guiné, é que as mulheres não se unem para apoiar as suas companheiras, quando estas, exercem uma função importante no Estado, “um aspeto a lamentar”, talvez se houvesse essa interajuda não teríamos sucessivas crises que o país tem conhecido ao longo dos anos, poderia ser encarada duma outra maneira devido a delicadeza com que a mulher trata os assuntos, talvez.

 

Desde 2008 que a “Voz di Paz” vem demostrando a vontade e as vias de resolução dos conflitos, lutando pela paz verdadeira e coesão interna. Já foram feitas muitas ações ou metas cumpridas para sensibilizar a população sobre a vantagem de ter a paz familiar, social, política, valorizar a igualdade de gênero, etc. Sem esses pontos citados, não haverá um desenvolvimento desejável.

 

Na verdade, todos os órgãos sociais, líderes comunitários e políticos estão implicados nesta situação sociopolítica do país, mas, a questão é, como e quais métodos usados para a resolução deste problema?

 

O grande desafio que se coloca é promover ações que visem a mudança de mentalidade das pessoas, campanhas para convidar as pessoas a serem mais honestas e comprometidas com a Guiné-Bissau. Temos que combater falsas promessas dos políticos que não escondem as suas ambições pessoais desmedidas que nada tem a ver com a realidade do povo. Estou a convidar as pessoas a preservarem os valores da nossa república e os sacrifícios daqueles que lutaram pela independência.

 

Não faltará a revolta social se continuarmos a ver a olhos nus políticos a ostentarem riquezas enquanto falta luvas nos hospitais, enquanto há greves de 6 meses nas escolas públicas, não há estradas em condições, não há emprego para os “profissionais”, nota-se que só ganha o emprego, o filho, o conhecido ou a mando de… mesmo sem formação ou capacidade de fazer algo. O país está completamente parado. Haverá revolta social se o povo continuar a permitir que só os familiares dos políticos no poder é que vão beneficiando das riquezas e ganhos do país. É preciso acordar o povo para reclamar a sua terra de novo.

 

 

Especialistas dizem em Bissau que ainda não há luz no fundo de túnel que mostre sinais de que a crise está perto de acabar. A cada dia a situação vai piorando e sem solução à vista. Em 2018 seria ano para o fim da atual legislatura e consequente realização das eleições legislativas. Há um problema inquietante. Precisa-se de eleger o novo presidente da Comissão Nacional de Eleições, que segundo as leis, é eleito através da plenária do parlamento. E, o parlamento não funciona há mais de um ano, como será então a resolução desta parte para avançar com as eleições?

 

A Guiné-Bissau precisa mais do que nunca das organizações não governamentais que possam muito rapidamente trabalhar na sensibilização e mudança da mentalidade das pessoas porque administrativamente algo falhou (demos a mão a palmatória). O problema do país é estrutural, daí, há uma necessidade de pressionar as autoridades para uma profunda reforma no aparelho de Estado. Sem as vozes isentas não haverá a mudança e o país caminhará para o abismo. Precisamos trabalhar na criação de condições aos órgãos de comunicação social para que sejam mais independentes e assumirem as suas responsabilidades porque nenhum país caminha ou desenvolve sem a colaboração ou envolvimento de todos, sobretudo a imprensa.

Vamos fazer campanha para incentivar as pessoas a irem à escola, sobretudo os jovens, mudar a mentalidade, fazer os guineenses a pararem de pensar que mesmo sem a formação, podem trabalhar no aparelho do Estado porque o pai ou um familiar vai ajudar.  Nenhum país desenvolve sem a valorização dos quadros, o nível está muito baixo connosco, devemos lutar para aumentá-lo. Eu não preciso provar para ninguém, mas, verifiquem os comentários ou publicações nas redes sociais, a forma como as escritas estão…. Lamento dizer isso, mas, vamos unir-nos para edução e saúde, etc.

Bem-haja a todos!

Por: Cláudio António Rumal

 





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