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SAUDAÇÕES MUSICAIS

31 Outubro 2017 Opinião





Tem-se falado muito sobre vinda à Bissau de músicos estrangeiros, para espetáculos estrondosos. Enquanto amante de boa música africana e conhecedor, um pouco, de mundo de showbiz, gostaria também de deixar a minha opinião, baseando especificamente na evolução, revolução, internacionalização, organização e a criatividade sobretudo.

Hoje, no mundo em que vivemos, mais que nunca, ficou provado que não se pode fazer muito sozinho, pensando ser o único dono e Senhor de tudo, não vou recuar muito no tempo para não cometer erros imperdoáveis, mas prefiro justamente começar nos finais dos anos 90 à esta data.

Nos anos 90 ao nível dos PALOPs, as músicas, sobretudo os respetivos músicos Cabo-Verdianos dominavam por completo o senário/mercado com as suas composições, projetavam sinais de organização, de união, e colaboraram-se mutuamente. Na época, para não citar todos, surgiram grupos como Os Rebelados, Livitys, Cabo-Verde Show, com passar do tempo surgiram outros grupos com nomes bem conhecidos no universo musical, que produziam grandes sucessos, caso para mencionar o Projeto Soba, Friend the Lovers, Verão etc.

A procura da sua afirmação no mercado lusófono, os músicos Angolanos faziam de tudo para ter monopólio do mercado. Foram buscar parceiras com os grandes nomes da música Cabo-verdiana, solicitando duetos, participações e muito mais. “Na Guiné-Bissau estava a terminar a era de grupos e duetos, ou seja, cada um começou a seguir a sua carreira a solo”. O que faziam os nossos músicos?

Depois de adquirir muita experiência, com muita inovação e criatividade, na primeira década dos anos 2000, os Angolanos inverteram a tendência, com a nova roupagem de Semba e com a afirmação do estilo Kuduro que veio com a nova dança.

Aonde é que estavam os nossos músicos?

Caros amigos e amantes da música guineense, creio que não há outro caminho, a febre de concertos de músicos internacionais é inevitável em qualquer parte do mundo. O fanatismo não vê a nacionalidade nem a cor de pele. Porque não na Guiné-Bissau? O melhor concerto de ano na vizinha Guiné-Conacri que teve lugar no dia 22 de Outubro 2017, foi de Davido, um músico Nigeriano, e mais, o cantor foi recebido como se fosse um Rei. Será que tratasse da humilhação?

Há várias questões que vou deixar no ar sem citar ninguém:

  1. Será que há uma indústria musical instalada na Guiné?
  2. Será que há uma organização e união no seio dos músicos?
  3. Quais são os grandes músicos guineenses que fizeram duetos?
  4. Qual é o músico guineense que conseguiu colocar as suas músicas nos grandes canais de televisão?
  5. Qual é o músico que tem uma estrutura bem montada?
  6. Qual é o acompanhamento e apoio do governo ao sector musical?

Nem tudo aparenta ser negro, tenho a certeza de que com um trabalho bem feito, hoje em dia há músicos nacionais que podem lotar o estádio 24 de Setembro a semelhança dos que vieram, como o caso de Américo Gomes, 4 ou 5 rappers Guineenses juntos bem organizados, podem!!!

A música hoje em dia é uma indústria, mas para chegar lá no topo ou estar no circuito não basta só cantar, exige muito mais. Pergunto todos esses músicos africanos que andam em diferentes capitais de África, Europa, Ásia e América o que é que têm de diferente? Como é que os músicos deixam as suas carreiras musicais nas mãos dos políticos, ganham carros e dinheiros de campanha a campanha, e depois?

Acho que com este comportamento estamos a cometer erros. Quantas vezes os nossos artistas atuaram no estrangeiro? Justino Delgado fez inúmeros concertos em Angola. Patche de Rima andou mundo inteiro a tentar internacionalizar a música da Guiné-Bissau. Quantos músicos da Guiné-Bissau que já atuaram em Cabo Verde, Angola, Moçambique, Portugal e por aí? O gosto não se discute. Alguém vai me dizer que o Messi não pode ir jogar num clube guineense só porquê é argentino? Ou PSG não podia comprar Neymar por 222 milhões de Euros porque não é francês? PSG é o Estado francês?

É importante sublinhar que esses concertos são organizados por grupo de jovens empreendedores, que não receber nada de Estado para montar os seus negócios, e com a determinação estão a tentar ganhar dinheiro tal como os músicos nacionais fazem. É um negócio, organizar concertos. O que seria surreal, na minha opinião, é o Estado da Guiné-Bissau organizar concerto com músicos internacionais em Bissau. Mas um jovem que quer montar uma empresa não pode convidar quem ele quer para gerar lucro? Também, talvez devíamos proibir os empresários nacionais de importarem produtos estrangeiros para o nosso consumo?

Quantos artistas internacionais atuaram em Portugal, Angola e Cabo Verde? Anselmo Ralph é Angola fez mais de 8 concertos no maior palco de espetáculos em Lisboa. 50 cent teve em Luanda, Kassav em Moçambique, e o nosso Tabanka Djaz quantas vezes tocou em Cabo Verde?

Muita das vezes na tentativa de ajudar acabamos por complicar. Com esse debate que se levante sempre que vem à Bissau um músico estrangeiro estamos a fechar portas internacionais aos nossos músicos que possam ser retalhados.

Com esses debates estamos a excluir os fãs que nunca tiveram uma oportunidade de viajar de ver atuação ao vivo do seu ídolo. O facto de irem assistir um concerto de um músico estrangeiro não significa que não valoriza o Nacional. Absurdo esta afirmação. Não tem nexo.

O povo da Guiné-Bissau, tal como em qualquer parte do mundo, precisa de diversão e de grandes concertos. Acontece em qualquer parte de mundo.

A nova geração de músicos Guineenses tem essa responsabilidade de inverter a tendência, de criar, de sonhar, de se organizar e explorar todas as oportunidades e horizontes porque o nosso mercado é extremamente pequeno, se outros conseguiram sair das suas fronteiras encantar o mundo nos também podemos.

Musicalmente

Lasfati 31/10/2017





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Comentários

  1. moacirsoaresdagama@gmail.com   On   26 Novembro, 2017 at 18:11

    Grande colocação mano, as pessoas falam em questão de quando vem um musico estrangeiro fecham as portas dos músicos nacionais ao meu ver isso não tem nada haver o que esta em causa é falta da valorização das nossas musicas, e dos nossos músicos, porque não podemos dizer que os músicos Guineenses não trabalham, trabalham sim mas tem algo que lhes impede a crescer se dentro da sua própria terra para sua musica tocar numa das radios você é cobrado a promoção num pais onde direito de autor não é respeitado sera que os internacionais pagam e alem disso a sua musica passa por diversos meios que te censuram, e é difícil partir pela meritocracia quando vocês não tem mesmo privilégios porque tudo isso impossibilita, a cultura angolana apoia as musicas de angola sera que a nossa cultura faz o mesmo? Sera que as nossas musicas tocam nos PALOP? porque aqui no Brasil que é um pais da CPLP desde que eu cheguei e vou fazer já três anos em janeiro mas nunca ouvi nenhuma musica Guineense em nenhuma das mídias brasileiras, mas la em Guine as musicas brasileiras toca todo santo dia e já ouvi aqui brasileiros perguntarem para vários guineense qual é o vosso estilo musical a maioria respondendo Kuduro, Semba, kizomba e outros… Mas nunca eu ouvi um dizer Gumbe, Tina, Cabaz Garande, siko entre outros… se formos ver bem isso cheira dominação cultural que os outros países de PALOP tem sobre Guine, mas não culpabilizo as pessoas que responderam citando estilos musicais estrangeiras porque nas nossas radios mas tocam musicas internacionais do que as nacionais então fica difícil você ser internacional antes de virar uma referencia nacional, em caso do Rap muitos falam voces não tocam no estrangeiros porque so cantam em criolo mas cabo-verdianos tocam em angola sem precisar de cantar em português e porque que nos não podemos tocar nas mídias internacionais sem ter que cantar em inglês ou francês ? porque nosso pais é um pais fraco que não aposta em criação local nos vivemos na dependência da ajuda externa. sou Rapper da Nova geração de agrupamento (Tchifre preto, QG Alliance, e Movimento Mindara na korson ) MEU nome é Moacir Armando Soares Da Gama conhecido no rap Guigui como MASG one.


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