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Sobre os jovens, o regresso ao campo, a lavoura e a terra

26 Julho 2017 Opinião


Manifesto aqui, mais uma vez, o meu total desacordo em relação às mais recentes afirmações do Chefe de Estado guineense, José Mário Vaz sobre os jovens, o regresso ao campo, a lavoura e a terra.
Mas, em primeiro lugar, partilho um excerto dele, conforme noticiado pela ANG, no dia 26 de Julho de 2017:
“…O país não pode avançar se os guineenses não voltarem para o campo a fim de recomeçarem tudo de novo e desenvolver a Guiné-Bissau (…)
“…O grande problema dos guineenses é que [se] esquecem de onde vêm [SIC] e, se isso acontecer, o caminho para o futuro torna-se confuso “(…)
“José Mário Vaz lamentou o êxodo de jovens do campo para as cidades e os desafiou a voltarem para a lavoura sob pena de virem a perder a terra para os estrangeiros residentes no país.” — José Mário Vaz, Presidente da República da Guiné-Bissau [Notícia da ANG, 26 de Julho de 2017]

Sr. Presidente,
1). Por mais essencial que a agricultura seja para a economia do país, não será este específico sector que determinará ultimamente o avanço económico da Guiné-Bissau. Ele, o desenvolvimento, será determinado pela capacidade de gestão de todos os recursos nacionais – humanos e naturais – pelos seus governantes, assim como o sector privado;

2). Só podemos travar o êxodo rural ou pedir aos jovens que voltem para as suas terras, se criarmos condições locais nas zonas rurais. Por outras palavras, OPORTUNIDADES. Pergunta-se: que oportunidades existem nas zonas rurais da Guiné-Bissau, onde não há condições escolares, educacionais, hospitalares, sanitárias, para só citar as mais essenciais?

3). Os jovens de campo, como guineenses também, merecem as mesmas oportunidades “reservadas” aos das zonas urbanas.

4). O problema de “origem”, ou seja, “quem não sabe de onde vem, não saberá onde está e nem para onde vai” — um provérbio africano generalizado pelo historiador burquinabê, Joseph Ki-Zerbo — não é significativo no contexto guineense. Ainda não me encontrei com um único guineense que não soubesse donde veio! “Para onde vamos” face aos sucessivos falhanços governamentais tem sido a questão mais candente.
5). E é muito simplista afirmar que quem não voltar à lavoura poderá simplesmente “perder a terra para os estrangeiros residentes no país”. Contrariamente daquilo que reza o ditado de que a terra pertence à quem a lavra, seria uma anarquia (de probabilidade remota) se os estrangeiros simplesmente se apoderassem das nossas terras. Se fosse o Chefe de Estado guineense teria, antes, exortado para a necessidade da elaboração e implementação da “Lei de terra”, estipulando todos os direitos sobre o seu uso, pertença proprietária e aproveitamento.
6). Por último, seria fundamental que os discursos do Chefe de Estado fossem assentes numa estratégia política e governativa bem pensada e exequível, esteja José Mário Vaz a falar da prevenção do êxodo rural ou do repatriamento voluntário dos cidadãos guineenses.

Respeitosa e patrioticamente.
//Umaro Djau


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Comentários

  1. Salgado Bideta Ié   On   29 Julho, 2017 at 0:31

    Obrigado mano por mais um olhar e atento com desastres dos pensamentos ou “imaginações” do “FARAÓ GUINEENSE” juntamento com os seus “SACERDOTES”, juntos na luta para tribalismo, ditadura no país!
    É de muita preocupação para todos Guineenses, principalmente aqueles filhos da mamãe GUINÉ que têm ampla visão como o Senhor. Portanto mano, é indispensável a inserção de todo filhos da GUINÉ-BISSAU sem exceção lutarem contra o mal que poderá causar todos Guineenses.

  2. HMS   On   13 Agosto, 2017 at 19:49

    Primeiramente seria o seu filho dar exemple e depois os demais seguirem os mesmos passos, os nossos políticos precisam saber porque estão ali seria interessante!


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